Cientistas revelam que nem todas as estradas romanas levavam a Roma, com outras cidades apresentando melhores conexões
Pesquisa revela que Roma não era o centro da malha viária do Império Romano.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e da Queen Mary University de Londres, desafiou a ideia popular de que “todos os caminhos levam a Roma”. A análise da infraestrutura do Império Romano mostrou que a cidade não ocupava uma posição central na rede viária como se pensava.
Os resultados indicam que a localização de Roma na península itálica limitava sua influência na malha rodoviária. As simulações realizadas demonstraram que o fluxo de transporte terrestre se concentrava em eixos que conectavam outras metrópoles, como Ancira, Corinto e Bizâncio, que se destacavam em intensidade de tráfego.
Bizâncio, que mais tarde seria conhecida como Constantinopla, desempenhava um papel crucial como ponto de conexão entre a Europa e a Ásia, evidenciando a complexidade das rotas comerciais da época.
A análise revelou que o eixo viário mais importante corria ao longo da costa norte-africana, se estendendo para leste e atravessando o Levante, antes de seguir para o norte, contornando Roma pela região de Milão.
É importante ressaltar que o estudo focou exclusivamente no transporte terrestre. No que diz respeito ao tráfego marítimo e fluvial, Roma ainda mantinha uma posição central, sendo vital para a sua supremacia política e econômica. O abastecimento da cidade dependia fortemente do transporte marítimo, que era mais eficiente para longas distâncias.
As investigações sobre as estradas romanas foram baseadas na base de dados “Itiner-e”, um atlas digital que reúne quase 300.000 quilômetros de estradas datadas do auge do Império, em torno do ano 150 d.C. Este mapa digital representa a rede viária que se manteve válida até o século IV.
Dos 299.171,31 quilômetros de estradas catalogados, cerca de 8.000 quilômetros são comprovados por evidências arqueológicas, enquanto a maior parte foi reconstruída por métodos científicos. Isso demonstra um alto grau de certeza sobre a existência das vias romanas ao longo dessas rotas.
Além disso, a pesquisa destacou a adaptação dos engenheiros romanos ao relevo durante a construção das estradas, resultando em trechos mais curtos em comparação com as rodovias modernas. Nos Alpes, os romanos enfrentaram desafios significativos, levando à construção de cortes de terreno e túneis para superar barreiras naturais.
Quando comparadas as rotas da Antiguidade com a malha rodoviária atual na Europa, Norte da África e Oriente Médio, observa-se que muitas das principais artérias da época ainda são utilizadas hoje. No entanto, a dinâmica populacional contemporânea alterou a densidade das estradas, com um aumento significativo ao redor de grandes metrópoles e uma diminuição em regiões que outrora eram estratégicas.
A infraestrutura romana foi fundamental para a prosperidade da cidade, permitindo que as províncias se mantivessem autônomas enquanto permaneciam conectadas. Essa rede eficiente garantiu que Roma fosse abastecida com os recursos necessários, mesmo sem a necessidade de que todas as estradas terminassem na cidade.