Cinco ministros do STF já tiveram acesso a dados do celular de Vorcaro
Ministros do STF recebem dados da investigação sobre o Banco Master
A Polícia Federal enviou cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A distribuição dos dados segue um processo formal iniciado pelo ministro Cristiano Zanin.
Até a quinta-feira, 17 de setembro de 2026, cinco dos dez ministros do STF já tinham acesso às informações brutas das mensagens e arquivos contidos no dispositivo de Vorcaro. O material foi primeiramente solicitado por Zanin e enviado ao STF para análise.
O compartilhamento dos dados, que inclui comunicações relevantes para o julgamento, ocorre após uma série de ofícios sobre o tratamento das provas. Os ministros que já receberam as informações incluem André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
- Receberam os dados: André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
- Não receberam: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Edson Fachin, Kássio Nunes Marques e Flávio Dino.
Os primeiros a receberem os dados foram Zanin, Gilmar e Moraes, que oficiaram diretamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em razão do julgamento que envolvia o relatório da PF sobre as interações de Vorcaro com membros do STF.
Durante o julgamento, surgiram mensagens que mencionavam os filhos dos ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux. Nunes Marques já solicitou o compartilhamento das informações, mas ainda não obteve resposta.
André Mendonça, que tinha os dados brutos em seu gabinete, requisitou à PF uma cópia do HD após os vazamentos. Ele atuou como relator nos casos do Banco Master e nas fraudes relacionadas aos descontos de benefícios do INSS.
Em 12 de setembro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu provisoriamente as relatorias de Mendonça, com a intenção de submeter ao plenário a análise dos pedidos de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e Mendonça.
Entretanto, as análises podem ser adiadas até a metade de dezembro devido ao pedido de vista de Flávio Dino. Fachin indicou que não pretende ser o relator dos casos do Banco Master e do INSS, e Mendonça não pode tomar decisões até que as relatorias sejam devolvidas. Assim, ambas as investigações permanecem paralisadas.
CRISE NO STF
A produção do relatório da PF para investigar as conversas de Daniel Vorcaro gerou uma crise sem precedentes no STF. Pela primeira vez, foi necessário abrir uma sessão para discutir a possibilidade de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no esquema de Vorcaro.
A sessão, que começou no dia 15 de setembro, foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, adiando a resolução do caso.
Além disso, Moraes solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, decidiu que o julgamento do pedido contra Mendonça só será pautado após a definição sobre como o caso Vorcaro-Moraes será julgado.
