CIOs transformam papel de controle da tecnologia para orquestração nos negócios com o uso de IA
Capacitação em tecnologia é agora responsabilidade do CIO, afirmam especialistas.
A capacitação das áreas de negócios passou a ser uma tarefa central do Chief Information Officer (CIO). Essa posição foi defendida pelo diretor de tecnologia e inovação da EcoRodovias, Afrânio Spolador Junior, e pela diretora acadêmica da SPTech, Vera Goulart, durante um painel no IT Forum Praia do Forte 2026.
O debate começou com a discussão sobre a relevância do cargo de CIO. Spolador destacou que a questão não é mais se as empresas precisam de um CIO, mas sim qual será o papel dessa função em um cenário onde diversas áreas podem contratar serviços e implementar sistemas de automação sem a intervenção direta da TI.
Spolador alertou sobre a possibilidade de extinção do cargo no modelo atual, sugerindo que a função pode mudar, mas o essencial será orquestrar a evolução das áreas. Ele ressaltou que a dispersão atual é um desafio, já que muitas equipes não dependem mais da TI para implementar novas tecnologias.
Ele também mencionou que a compreensão sobre inteligência artificial varia entre os profissionais, com alguns se sentindo capacitados enquanto outros ainda estão em processo de aprendizado. Para Spolador, a solução começa com a capacitação interna, especialmente das lideranças.
Programa de pós-graduação voltado para profissionais fora da TI
Em resposta à necessidade de uma gestão tecnológica eficaz, a EcoRodovias lançou um programa de pós-graduação em colaboração com a SPTech, focado em profissionais que não são da área de TI. O objetivo é capacitar advogados, engenheiros e outros especialistas em tecnologia.
Vera Goulart destacou dois aspectos inovadores do programa. O primeiro é a definição antecipada dos projetos que serão desenvolvidos, permitindo que os alunos já saibam o que esperar ao iniciar o curso. O segundo diferencial é a inclusão de estagiários da SPTech em cada grupo, proporcionando suporte e facilitando a tradução de conceitos tecnológicos para as áreas de negócio.
O currículo do programa é revisado constantemente para se adaptar às rápidas mudanças tecnológicas. Vera enfatizou que a formação não é um processo estático, mas sim contínuo.
Spolador mencionou a utilização da Lei do Bem em seus projetos, que, por serem voltados para pesquisa e desenvolvimento, se encaixam nos critérios de inovação, embora exijam um trabalho burocrático considerável.
O foco da formação não é apenas operacional. Spolador ressaltou a importância de desenvolver uma análise crítica sobre os dados, o que contribui para a estabilidade da equipe. Ele observou que, com o crescimento da empresa e os programas de capacitação, as demissões em massa foram evitadas.
A governança precisa se adaptar à era da IA
Spolador apontou que a velocidade das áreas de negócio está sendo limitada por um modelo de governança que não se adequa ao novo ritmo imposto pela tecnologia. Ele defendeu que a reestruturação da governança é essencial para evitar desorganização, onde cada área atua de forma isolada e sem coordenação.
Na SPTech, a governança é integrada ao processo de aprendizado. Vera explicou que os alunos implementam práticas de governança desde o início, ampliando seu conhecimento de maneira prática e contínua.
A segunda turma do programa de pós-graduação terá início na segunda quinzena de setembro, mantendo a mesma estrutura da primeira. Para os especialistas, o que realmente fará a diferença na próxima fase da inteligência artificial será a preparação das lideranças em decidir sobre a aplicação da tecnologia.