Cisco implementa estratégia que integra segurança e rede em data centers
Executivos de tecnologia destacam desafios e oportunidades na adoção de IA no Brasil.
Em fevereiro deste ano, uma pesquisa revelou que 87% dos executivos de tecnologia acreditam que os agentes de inteligência artificial (IA) estão remodelando suas prioridades. No entanto, apenas 37% das empresas brasileiras relataram um aumento nas receitas devido à adoção da IA nos últimos 12 meses.
Ricardo Mucci, presidente da Cisco Brasil, aponta que a diferença entre a estratégia e o retorno sobre o investimento (ROI) está na infraestrutura. Durante a abertura do Cisco Connect 2026, ele enfatizou a importância de se olhar além do software e focar também no hardware. A necessidade de melhorias, segundo ele, reside não apenas nas empresas, mas principalmente nos processadores das nuvens que suportam a operação da IA.
Mucci questionou se os data centers estão adequadamente preparados para suportar a infraestrutura necessária para a IA.
No evento, a Cisco destacou seu compromisso com a modernização das estruturas que processam tecnologia, especialmente os data centers. Laércio Albuquerque, vice-presidente da Cisco América Latina, comentou sobre a importância de que a “mágica da IA” ocorra nos bastidores, envolvendo data centers e redes. Ele ressaltou que a eficiência da IA depende de uma rede funcional, afirmando que “se a rede para, a IA para”.
Albuquerque também mencionou que, embora a necessidade de investimentos em infraestrutura já existisse, ela se tornou mais urgente com a chegada da IA agêntica, que requer um volume imprevisível de processamento de tokens. Ele observou que, com o aumento das interações entre humanos e agentes, a previsão do uso de tokens se tornou complexa.
A segurança também se tornou uma preocupação maior. Segundo um estudo, 49% das organizações brasileiras consideram a cibersegurança como o principal obstáculo à escalabilidade da IA.
Em resposta a esses desafios, a Cisco lançou sua nova linha de processadores, Silicon One, que promete economizar 30% de energia e oferecer eficiência operacional 30% superior em comparação com soluções anteriores. A empresa também investiu no HyperShield, que permite atualizar políticas de firewall sem interrupções.
A estratégia da Cisco para 2026 visa integrar soluções de infraestrutura, segurança, software e observabilidade. Mucci destacou que o software isolado não é mais suficiente para gerenciar os volumes de dados atuais, tornando necessário o desenvolvimento de um hardware acelerador para o funcionamento eficiente dessas estruturas.
Em uma coletiva de imprensa, Mucci ressaltou que a Cisco tem passado por transformações significativas em seu portfólio nos últimos dois anos, com um foco renovado em redes. Ele observou que o mercado corporativo está demandando cada vez mais suporte e sustentação de infraestrutura, resultando em uma renovação substancial no portfólio de software da empresa.
Apesar do otimismo, Mucci expressou preocupação com a atual crise de chips de memória, que tem encurtado os prazos de validade das propostas comerciais. Ele assegurou que a Cisco já enfrentou crises de demanda anteriormente e que a estratégia é acompanhar de perto cada cliente, analisando as necessidades individualmente. No entanto, ele não revelou se houve aumento nos preços dos produtos ou os prazos atuais para entrega dos processadores.
“Não é algo novo para a Cisco, mas não é fácil de resolver. Estamos monitorando de perto cada projeto e prazo com nossos clientes”, concluiu Mucci.
