Cleitinho critica boicotes e desafia políticos a abrirem mão do salário
Senador Cleitinho Azevedo critica boicotes políticos e defende respeito às divergências eleitorais.
O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), fez um apelo neste domingo (1º) para que políticos que incentivam boicotes a empresas por divergências eleitorais renunciem a seus salários e benefícios. Em um vídeo postado nas redes sociais, ele expressou indignação em relação a uma mulher que humilhou uma criança vendedora de balas, após o menino declarar seu apoio ao candidato à presidência, Lula (PT).
Cleitinho enfatizou que os salários e benefícios dos parlamentares são financiados por impostos pagos por trabalhadores e empresários. Ele criticou ainda os recursos públicos alocados para fundos eleitoral e partidário, sugerindo que os políticos deveriam dar o exemplo ao abrir mão de suas compensações financeiras.
A declaração do senador surge em um contexto de boicotes direcionados a empresas e artistas que manifestaram apoio a Lula durante a eleição presidencial. Em Minas Gerais, surgiram listas de estabelecimentos considerados simpatizantes do petista, além de relatos de ameaças de demissão motivadas por questões políticas.
O posicionamento de Cleitinho se diferencia do do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), seu aliado, que apoiou o direito dos consumidores de boicotar empresas que apoiam Lula. Cleitinho, por outro lado, pediu que as divergências políticas não resultem em retaliações contra comerciantes e trabalhadores.
“A criança não vota”
O senador condenou a atitude da jovem que humilhou a criança, ressaltando que esta não possui direito a voto. Ele pediu que outros políticos também se manifestem contra comportamentos desse tipo. Cleitinho compartilhou a história de uma mulher que declarou ter votado nele para governador e em Lula para presidente, destacando que, apesar das diferenças políticas, a relação comercial entre eles se manteve intacta.
Ele afirmou que não houve boicote de nenhuma das partes, questionando se a escolha eleitoral deve definir o caráter de uma pessoa e comparando as rivalidades políticas às rivalidades entre torcedores de futebol.
Críticas à direita e à esquerda
O senador também lembrou que setores da esquerda têm promovido boicotes contra empresas associadas ao bolsonarismo, como Coco Bambu e Havan. Para Cleitinho, a crítica deve ser direcionada aos próprios políticos, sugerindo que, em vez de boicotar empresas, os cidadãos poderiam considerar boicotar os políticos que incentivam tais ações.
Na quarta-feira (28), Cleitinho já havia se posicionado contra as campanhas de retaliação, defendendo que comerciantes e trabalhadores não deveriam ser prejudicados por suas preferências eleitorais.