CMN expande acesso a crédito para estados sem necessidade de garantia da União
Governos locais ganham mais liberdade para contrair crédito sem aval da União.
Os estados, municípios e o Distrito Federal terão a possibilidade de acessar um volume maior de crédito sem a necessidade de garantia da União. Em uma reunião extraordinária realizada na terça-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ajustou os limites de crédito disponíveis para os governos locais em 2026.
Embora a medida não amplie o total de recursos autorizados, ela redistribui os valores de forma a facilitar o acesso a empréstimos, especialmente aqueles que não necessitam de garantia federal.
Com essa nova diretriz, os governos locais poderão contratar crédito diretamente com instituições financeiras, sem depender da aprovação do governo federal, o que representa uma importante mudança na dinâmica de financiamento público.
O que mudou
O limite total de crédito permitido para o setor público em 2026 permanece em R$ 23,625 bilhões. A alteração se refere à forma como esses recursos são distribuídos.
O destaque fica por conta do aumento do limite para operações sem garantia da União, que subiu de R$ 4 bilhões para R$ 5 bilhões.
Essas operações, por serem mais ágeis, não necessitam da aprovação federal, mas exigem uma capacidade de pagamento mais robusta por parte dos estados e municípios.
De onde veio o dinheiro
Para viabilizar o aumento desse limite, o governo remanejou recursos de outras áreas dentro do orçamento existente:
- R$ 200 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com garantia da União;
- R$ 300 milhões do Novo PAC sem garantia;
- R$ 500 milhões de projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP).
Dessa forma, não houve um aumento nos gastos, mas sim uma reorganização dos valores já disponíveis.
O que não mudou
Alguns limites importantes foram mantidos:
- R$ 5 bilhões para operações com garantia da União para estados e municípios;
- R$ 8 bilhões para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos;
- R$ 625 milhões para órgãos da União.
Demanda crescente
A decisão do CMN visa atender à crescente demanda por crédito direto por parte de estados e municípios, possibilitando:
- Maior agilidade na contratação de empréstimos;
- Autonomia ampliada para investimentos locais;
- Continuidade de projetos públicos sem depender da aprovação federal.
A nova diretriz entrará em vigor após a publicação oficial e integra a gestão anual dos limites de endividamento do setor público.
