CNI alerta que fim da taxa das blusinhas pode ameaçar 109 mil empregos
Fim da taxa de importação gera preocupações sobre empregos e produção nacional
O governo federal, por meio de uma medida provisória, eliminou o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas. Essa decisão tem gerado reações significativas no setor industrial.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que a extinção dessa taxa pode comprometer cerca de 109 mil empregos e impactar em R$ 21,8 bilhões a produção nacional em 2026. A entidade enfatiza que a medida pode ter consequências sérias para a economia brasileira.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou um acordo com os líderes do Legislativo para a criação de uma comissão mista que irá analisar a medida provisória que extingue a taxa. Essa ação foi vista como uma tentativa de abordar as preocupações levantadas pela indústria.
Segundo especialistas, a manutenção do imposto anterior ajudava a direcionar o consumo para produtos fabricados no Brasil, equilibrando a competitividade entre a produção local e os importados. A eliminação do imposto pode criar um tratamento tributário desigual, prejudicando o mercado interno e a livre concorrência.
A CNI também projetou que a isenção do imposto resultará em um aumento significativo nas importações de pequeno valor, estimando um crescimento de R$ 7 bilhões, o que representa uma elevação de 42,3% em relação ao cenário anterior.
Volume de pequenas importações deve disparar
As previsões indicam que, em 2026, aproximadamente 249,5 milhões de encomendas de pequeno valor deverão ser enviadas ao Brasil através do Programa Remessa Conforme (PRC), marcando um aumento de 56,3% em comparação a 2025. Esse crescimento seria menor se o imposto ainda estivesse em vigor.
Sem a nova política, as remessas teriam um total de 194,9 milhões, o que ainda representaria um aumento de 22,1% em relação ao ano anterior. Assim, a eliminação da taxa resultará em um crescimento de 28% na quantidade de remessas.
Em termos financeiros, a CNI projeta que as importações via PRC alcançarão R$ 23,6 bilhões em 2026, um aumento de 65,7% em comparação a 2025. Com a taxação, esse valor seria de R$ 16,6 bilhões, refletindo um crescimento de 16,2% sobre o ano anterior. Portanto, a nova política deve aumentar em 42,3% o valor das compras internacionais de pequeno valor no país.
Indústria de transformação será principal prejudicada
Conforme a CNI, para cada R$ 1 importado por meio do PRC, há uma perda de R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas do Brasil. Essa situação afeta especialmente a indústria de transformação.
Os produtos adquiridos através do programa, como eletrônicos e vestuário, competem diretamente com a produção local. Portanto, a maior parte do impacto negativo se concentra nesse setor, que já enfrenta desafios significativos em um mercado cada vez mais competitivo.
