Concessões rodoviárias ameaçam bandeira eleitoral de Tarcísio

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Resultados de concessões rodoviárias de Tarcísio de Freitas levantam questionamentos sobre sua gestão.

Tarcísio de Freitas, conhecido como “Tarcisão do Asfalto”, tem enfrentado críticas em relação aos resultados de sua gestão nas concessões de rodovias, que não se comparam a outros políticos que ocuparam cargos semelhantes. Embora tenha se destacado pela sua atuação na infraestrutura, os números alcançados em sua administração são considerados tímidos.

Durante seu tempo como ministro da Infraestrutura, de 2019 a 2022, Tarcísio leiloou cinco concessões, totalizando aproximadamente 3.100 km de estradas. Após sua saída do cargo, seu sucessor leiloou um sexto projeto, elevando o total para cerca de 3.900 km. Em contraste, o governo atual já realizou 23 leilões, abrangendo 10 mil km de rodovias, com expectativas de que esse número ultrapasse 14 mil km até o final do ano, mais que o triplo do que foi registrado durante a gestão de Tarcísio e seu sucessor.

Como governador de São Paulo, Tarcísio promoveu mais leilões rodoviários do que seus antecessores, João Doria e Rodrigo Garcia, com um total de seis certames. No entanto, a extensão das rodovias concedidas por ele ainda é inferior àquela transferida à iniciativa privada pelos governos anteriores.

O governo paulista defende que a comparação entre concessões deve considerar não apenas a extensão da malha, mas também a eficiência dos projetos, ressaltando a importância de indicadores de desempenho, qualidade do serviço e segurança viária.

Tarcísio, enquanto ministro, gerenciou uma pasta que abarcava rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Com a divisão dessas atribuições no governo Lula, as concessões de rodovias passaram a ser geridas pelo Ministério dos Transportes, que já superou o número de leilões realizados durante a gestão de Tarcísio.

Embora tenha sido projetado como um gestor de rodovias, seu desempenho foi mais notável nas concessões aeroportuárias, onde sua equipe transferiu 50 terminais à iniciativa privada. O programa de privatizações de aeroportos, iniciado em 2012, resultou em mais de 90% do tráfego de passageiros já em terminais privatizados, deixando ao governo Lula apenas aeroportos regionais de menor porte para leiloar.

O governo paulista também destaca que, apesar de a malha concedida ser menor, o volume de investimentos contratados na atual gestão é superior ao da anterior, o que reflete a complexidade dos projetos em andamento.

Uma diferença significativa entre as gestões é a origem dos recursos para financiar as obras. Tarcísio adotou o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) em algumas concessões, onde o governo remunera a concessionária ao longo do contrato, enquanto as gestões anteriores estruturaram suas concessões para não depender de recursos do Tesouro.

Especialistas afirmam que a escolha por PPPs pode ser justificada em casos onde a receita gerada por pedágios não é suficiente para financiar as obras. O governo se comprometeu a desembolsar quantias significativas anualmente às concessionárias, o que levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dessas iniciativas.

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