Conflitos, tarifas e preferência chinesa pelo Brasil intensificam crise entre produtores de soja dos EUA
Produtores de soja enfrentam desafios financeiros no Nebraska
O produtor de soja Doug Bartek, de 60 anos, está ansioso para o início da colheita da primavera, mas enfrenta uma série de problemas que afetam o sustento de sua família em sua fazenda de 2.000 acres próxima a Wahoo, Nebraska.
Bartek, que preside a Associação de Soja de Nebraska, destaca que os altos custos de combustível, máquinas e fertilizantes têm pressionado seu orçamento, uma situação que se agravou devido ao conflito no Irã.
Além disso, as tarifas impostas pelo governo anterior, a percepção de que os fornecedores estão cobrando preços excessivos e o baixo preço da soja, resultado de uma oferta mundial elevada, complicam ainda mais o cenário.
“Nossas maiores dificuldades são os insumos, seja fertilizante, semente, produto químico, peças”, afirma Bartek. “Todos eles tiveram um aumento drástico, e eu sinto que o agricultor está encurralado.”
A soja, essencial na alimentação animal e na produção de biocombustíveis, é um dos principais produtos agrícolas exportados pelos Estados Unidos desde a década de 1990, com a demanda internacional, especialmente da China, impulsionando a produção.
No entanto, os produtores de soja nos EUA, que também cultivam milho, já enfrentavam dificuldades financeiras antes do conflito no Irã. O valor da soja tem se mantido baixo, em parte devido ao Brasil, que se tornou o maior produtor mundial.
“Se olharmos para a produção global de soja nos últimos anos, ela continua batendo recorde após recorde”, afirma um economista agrícola. “Há grandes estoques globais, e isso baixou os preços.”
Com o preço da soja em queda e os custos de produção aumentando, muitos agricultores do Meio-Oeste compartilham as preocupações de Bartek. Tarifas e a guerra comercial com a China agravaram a situação, dificultando ainda mais a rentabilidade.
O conflito no Irã interrompeu o transporte pelo Estreito de Ormuz, afetando o fornecimento de fertilizantes e elevando preços. “Muitos produtores estão bem nervosos entrando neste ano”, comenta um agricultor e presidente de uma associação do setor.
O aumento dos preços das terras no Meio-Oeste também é motivo de preocupação. Muitos agricultores dependem de terras alugadas, e os proprietários têm elevado os valores, pressionando financeiramente os produtores.
Bartek, que aluga três quartos de sua área, observa que muitos proprietários não têm noção das dificuldades enfrentadas na fazenda e aumentam os preços sem considerar a realidade do mercado.

Os desafios de mercado não são os únicos obstáculos. As tarifas impostas pelo governo anterior intensificaram a disputa comercial com a China, que era a principal compradora da soja americana. A resposta da China foi aumentar tarifas, resultando em uma queda acentuada nas compras de soja dos EUA.
“Quando a China impôs tarifas contra os EUA, eles passaram a comprar do Brasil ou da Argentina, principalmente do Brasil”, explica um ex-economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA.
“Não somos mais tão dominantes no mundo como éramos em termos de mercado global de exportação de soja.”
Apesar de um acordo entre EUA e China, que promete compras significativas de soja, os danos já foram causados. Mesmo com o auxílio do governo, os agricultores ainda enfrentam prejuízos significativos.
Após um ataque ao Irã, o tráfego pelo Estreito de Ormuz foi interrompido, elevando os preços do petróleo e interrompendo a exportação de fertilizantes nitrogenados. O aumento do preço da ureia, essencial para a produção de milho,
