Conselho do MPF inicia investigação sobre menções a Gonet
Conselho do MPF inicia análise sobre procurador-geral em caso de mensagens suspeitas
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) instaurou um procedimento para investigar menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Gonet terá um prazo de dez dias para apresentar esclarecimentos ao colegiado.
O processo está sob a relatoria do subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino e foi motivado por uma representação feita por deputados federais do partido Novo. A solicitação dos parlamentares inclui a avaliação da necessidade de designar outro subprocurador-geral para atuar em investigações relacionadas ao Banco Master, caso surjam fatos que envolvam Gonet.
A abertura do procedimento não implica, automaticamente, em reconhecimento de irregularidade ou suspeição sobre o procurador-geral. Os deputados afirmam que, neste momento, não estão acusando Gonet de prática de ato ilícito, mas ressaltam que as informações reveladas nas investigações demandam esclarecimentos para dissipar dúvidas sobre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso.
Mensagens revelam diálogos e indícios de influência
O pedido de investigação baseia-se em mensagens obtidas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro durante as investigações do Banco Master. Parte do material foi divulgada após uma decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Em uma das comunicações, Vorcaro solicita a atuação de “Andrei e Paulo”, que, segundo a investigação, referem-se ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a Paulo Gonet. O conteúdo do diálogo sugere uma tentativa de evitar ou postergar medidas que poderiam impactar o banco.
Embora as mensagens contenham pedidos e referências de Vorcaro e seus interlocutores, não há evidências que comprovem que Gonet tenha atendido às solicitações ou influenciado as investigações de forma direta.
O material também inclui conversas com o advogado Ciro Soares, que teria enviado a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador-geral. Além disso, há menção a um evento em Londres que envolveu um filho de Gonet, com despesas aparentemente custeadas pelo banqueiro da época.
Conselho espera resposta do procurador-geral
Com a abertura do procedimento, cabe a Gonet apresentar sua versão ao Conselho Superior do MPF. A análise deverá determinar se as informações coletadas justificam alguma ação institucional ou se não há elementos suficientes para avançar no caso.
O procurador-geral já havia se manifestado em relação ao processo conduzido por André Mendonça, contestando o relatório da Polícia Federal que compila os diálogos de Vorcaro. Agora, ele precisa responder especificamente ao procedimento instaurado dentro do Ministério Público Federal. Após os esclarecimentos, o relator avaliará os próximos passos a serem tomados no Conselho.
