Copa do Mundo 2026: Irã em Foco Aumenta Tensão no Esporte e na Diplomacia Mundial
Irã confirmado na Copa do Mundo em meio a tensões geopolíticas.
Réplicas do troféu da Copa do Mundo foram exibidas em uma loja de Teerã, capital do Irã, em 23 de abril de 2026, após a confirmação da participação da seleção iraniana no Mundial.
Durante um congresso da Fifa em Vancouver, o presidente da entidade, Gianni Infantino, anunciou que o Irã jogará na Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos. A declaração foi recebida com ironia pelo presidente americano, que comentou sobre a posição da Fifa em relação ao evento.
Para entender o impacto político dessa confirmação, especialistas destacam que a Fifa, ao se posicionar em um momento de tensão no Oriente Médio, busca se distanciar de conflitos geopolíticos. A presença do Irã no torneio pode ser vista como uma tentativa da entidade de promover a inclusão, apesar das complexidades políticas.
O especialista em geopolítica, Raphaël Le Magoariec, observa que a postura da Fifa incomoda autoridades americanas, que veem a participação iraniana como uma afronta em um contexto de relações tensas entre os dois países. A Fifa, segundo ele, parece priorizar seus interesses financeiros sobre as questões políticas.
Infantino, em sua tentativa de mediar conflitos, buscou aproximação entre as federações israelense e palestina, mas a iniciativa não teve sucesso. Isso levanta questões sobre suas ambições políticas, especialmente em um cenário onde o lucro da Fifa é considerado mais importante que a geopolítica.
No contexto do Irã, o futebol é um reflexo do poder político. A seleção nacional é vista como um representante da República Islâmica, e a estrutura esportiva está intimamente ligada ao regime, com líderes da federação associados à Guarda Revolucionária.
O esporte, em geral, é utilizado como um instrumento de controle social no Irã, e essa relação entre política e futebol é comum em toda a região do Oriente Médio. A presença da seleção iraniana na Copa do Mundo suscita preocupações sobre quem integrará a delegação que viajará aos Estados Unidos.
Embora a participação do Irã esteja confirmada, a localização dos jogos ainda gera dúvidas. A seleção está no Grupo G, com partidas programadas para Los Angeles e Seattle. Especialistas sugerem que os jogos poderiam ser realocados para outros países-sede como México ou Canadá, considerando a grande comunidade iraniana nos EUA.
Contudo, a seleção não conta com apoio unânime da diáspora iraniana, e há uma parte que se opõe à representação do regime. A Copa do Mundo de 2022 no Catar já havia evidenciado a divisão entre torcedores e a seleção, que foi vaiada por muitos que a viam como um símbolo do governo.
A Fifa, ao planejar o próximo Mundial, parece não estar considerando as mesmas preocupações. A desistência da delegação iraniana de participar do congresso da Fifa no Canadá, citando problemas migratórios, reforça que a geopolítica ainda desempenhará um papel significativo neste evento esportivo.
