Copa do Mundo inicia marcada por controvérsias sob a gestão de Trump

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A Copa do Mundo de 2026 inicia marcada por tensões políticas e sociais.

A bola começa a rolar nesta quinta-feira, 11 de junho, mas a Copa do Mundo de 2026 já está inserida na história por motivos controversos. Antes mesmo da partida de abertura entre México e África do Sul, no Estádio Azteca, o torneio é marcado por deportações, vistos negados, revistas rigorosas a delegações, protestos no México e preços recordes de ingressos. A presença da seleção iraniana, cujo país enfrenta tensões com os Estados Unidos, um dos anfitriões, também adiciona complexidade ao cenário.

Poucas edições da Copa do Mundo foram tão afetadas por questões políticas quanto a que está sendo organizada por EUA, México e Canadá. Em vez de celebrar a integração entre os povos, os dias que antecederam a abertura foram repletos de relatos de interrogatórios em aeroportos, endurecimento de controles migratórios e restrições a torcedores estrangeiros, refletindo a política do atual governo dos Estados Unidos.

Um dos episódios mais emblemáticos envolveu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Reconhecido como um dos principais juízes do futebol africano e eleito árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025, ele foi selecionado pela FIFA para atuar no Mundial. No entanto, mesmo com visto diplomático válido, sua entrada foi barrada ao desembarcar em Miami, levando à sua exclusão do quadro de arbitragem do torneio, um ato que gerou repercussão internacional e colocou a FIFA em uma posição delicada.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, descreveu o ocorrido como “lamentável”, mas tentou distanciar a organização da responsabilidade, afirmando que não controla tudo e que não pode determinar as ações de governos. No entanto, essa situação contradiz a imagem da Copa como um símbolo de inclusão global.

Além do caso de Artan, diversas delegações relataram procedimentos de segurança excessivos nos Estados Unidos. A seleção do Uzbequistão denunciou inspeções completas de bagagem e longos períodos de espera, enquanto a Bélgica e Senegal enfrentaram revistas detalhadas na chegada, com jogadores sendo revistados até mesmo nos calçados. O atacante iraquiano Aymen Hussein passou por sete horas de interrogatório antes de ser autorizado a entrar no país, enquanto um fotógrafo da seleção iraquiana foi deportado.

Essas situações ocorrem em um contexto de endurecimento da política migratória dos EUA, que, sob a administração de Trump, ampliou restrições para diversas nacionalidades e endureceu critérios para emissão de vistos. Isso resultou na exclusão de milhares de torcedores, especialmente de países como Haiti, Somália e Irã, que enfrentaram dificuldades para obter vistos, desafiando promessas da FIFA de garantir acesso a todas as nações participantes.

Situação do Irã

A situação do Irã é particularmente emblemática, já que a seleção do país competirá em solo americano enquanto seu governo enfrenta uma escalada militar com os EUA. Recentemente, bombardeios americanos atingiram alvos iranianos, exacerbando um conflito que já se agravava. Isso forçou a delegação iraniana a alterar sua base de preparação do território americano para o México, com dirigentes tendo seus vistos negados e a FIFA revogando a cota de ingressos destinada aos torcedores iranianos.

Essa exclusão não afeta apenas os iranianos que residem no país, mas também aqueles da diáspora que vivem legalmente nos Estados Unidos e esperavam acompanhar a seleção durante a competição.

Protestos no México

Enquanto os EUA lidam com tensões relacionadas à imigração e política internacional, o México também enfrenta um clima de contestação social. Professores organizaram protestos em várias regiões da Cidade do México, denunciando os impactos das obras para o torneio e os prejuízos causados a comerciantes locais pelas mudanças urbanas.

O presidente brasileiro, Lula, expressou preocupação com os protestos, comparando a situação do México à que o Brasil enfrentou em 2013, quando manifestações por um aumento nas tarifas de transporte se transformaram em um movimento maior contra o governo, sugerindo que um “agente de outro país” pode estar envolvido.

Ingressos

As críticas também se estendem ao modelo comercial da FIFA, com a edição de 2026 sendo considerada uma das mais caras da história

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