Crescimento de 4% no mercado global de PCs no primeiro trimestre é considerado enganoso pelo Gartner

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Remessas globais de PCs apresentam crescimento, mas com ressalvas sobre a demanda real.

As remessas mundiais de PCs atingiram 62,8 milhões de unidades no primeiro trimestre de 2026, representando um aumento de 4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, essa alta é acompanhada de uma advertência, pois não reflete uma demanda genuína do mercado consumidor ou corporativo.

Esse crescimento é resultado de uma estratégia coordenada por fornecedores e distribuidores, que anteciparam compras para formar estoques antes do esperado aumento de preços no segundo trimestre. Essa movimentação busca proteger as margens, especialmente em produtos com menor valor agregado, onde os custos dos componentes têm maior impacto.

Estratégia de demanda

A distorção nos números é atribuída a um fenômeno técnico denominado “memflation”, que se refere à inflação dos preços de memória, impactando diretamente os custos de componentes como DRAM e NAND flash. Com os preços desses insumos em alta, fabricantes e distribuidores aceleraram suas compras no primeiro trimestre.

Contudo, esse aumento nas remessas é considerado artificial, pois não se sustenta nos trimestres seguintes, quando a demanda subjacente não acompanha o ritmo das vendas. O crescimento de 4% nas remessas foi, portanto, inflacionado por uma estratégia de estocagem, e não por uma demanda real do mercado.

Além disso, o primeiro trimestre de 2025 já havia apresentado um aumento similar devido a antecipações de compras, o que torna a comparação ainda mais complexa. Assim, o crescimento atual reflete dois trimestres que foram influenciados por comportamentos defensivos frente a riscos externos, dificultando a interpretação da saúde real do mercado.

As projeções de demanda baseadas nos números do primeiro trimestre podem superestimar o apetite do mercado nos meses seguintes. Caso os estoques formados não sejam absorvidos pela demanda real, o setor poderá enfrentar uma pressão de preços inversa, com fabricantes oferecendo condições mais atrativas para movimentar o inventário.

Para as empresas que planejam atualizar seus parques tecnológicos, o segundo semestre de 2026 pode oferecer oportunidades de negociação mais vantajosas do que o cenário atual sugere.

Quais empresas estão na liderança?

No cenário competitivo, a Lenovo se destacou como líder global, com 16,6 milhões de unidades enviadas e uma participação de mercado de 26,5%, apresentando um crescimento de 9,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A HP Inc. ocupou a segunda posição, mas registrou uma queda de 4,9% em suas remessas, reduzindo sua fatia de mercado de 21,1% para 19,3%. A Dell, por sua vez, cresceu 7,6% e consolidou a terceira posição com 16,5% de participação.

Um movimento significativo foi a ascensão da ASUS, que ultrapassou a Acer, assumindo a quinta colocação com um crescimento de 10,8%. O destaque individual do trimestre foi a Apple, que enviou 6,7 milhões de unidades e cresceu 12,7%, o maior entre os principais fabricantes, aumentando sua participação de mercado para 10,6%.

Esse desempenho positivo é atribuído à demanda pelo MacBook Neo, especialmente entre novos usuários do ecossistema Mac e compradores do setor educacional. A Apple conseguiu crescer acima da média do mercado em um trimestre marcado por dinâmicas de preços de componentes, posicionando o MacBook Neo como uma alternativa de alto desempenho e acessível para consumidores sensíveis a custo.

Essa estratégia permitiu à Apple atrair um perfil de comprador que normalmente não considera a plataforma macOS, ampliando sua base de clientes e fortalecendo sua posição no mercado.

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