Criação de pacas para produção de carne requer autorização ambiental e investimento de até R$ 400 mil
Criação de paca requer autorização ambiental para ser realizada de forma legal.
A paca (Cuniculus paca), um roedor nativo das Américas e parente da capivara e da cutia, tem atraído a atenção de produtores rurais interessados em diversificar suas atividades por meio da criação comercial de animais silvestres.
Esse animal, que se distingue da cutia por seu tamanho maior e listras características na barriga, possui hábitos noturnos, passando o dia em repouso.
Para estabelecer um criadouro, a primeira e mais crucial etapa é obter a autorização oficial, visto que se trata de uma espécie da fauna silvestre.
No estado de Minas Gerais, por exemplo, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) é o órgão responsável por esse processo. É necessário elaborar um projeto técnico assinado por um profissional habilitado, como biólogo, zootecnista ou veterinário, e a aprovação pode levar até um ano.
Os animais que comporão o plantel inicial devem ser adquiridos apenas de criadores autorizados, sendo a captura na natureza estritamente proibida.
Investimento e infraestrutura
O investimento inicial para a criação de 15 matrizes, incluindo instalações, assessoria técnica e compra dos animais, gira em torno de R$ 60 mil.
Projetos maiores, que envolvem galpões estruturados, podem ter custos de construção que chegam a R$ 400 mil.
As instalações devem ser cuidadosamente planejadas, levando em consideração alguns pontos essenciais:
- Recintos: baias de aproximadamente 30 m², com capacidade para seis a oito animais;
- Bem-estar: cada recinto deve contar com uma mini piscina, que deve ser limpa diariamente, fundamental para a regulação da temperatura e o comportamento social das pacas;
- Ambiente: é necessário incluir uma caixa-ninho com duas saídas, imitando tocas, além de galhos para roedura, uma vez que os dentes dos animais crescem continuamente.
Manejo e alimentação
A dieta da paca é mista, com um consumo médio de 1 kg de alimento por dia, dividida em:
- Parte in natura: frutas, legumes, tubérculos e verduras, sendo estas últimas limitadas a duas vezes por semana para evitar diarreias;
- Parte seca: uma mistura de farelos com 40% de milho, 40% de trigo e 20% de soja, garantindo um aporte proteico adequado;
- Grãos: milho em grão oferecido separadamente, ajudando no desgaste dental.
O manejo sanitário deve incluir vermifugação a cada três meses, prevenindo problemas digestivos e perda de peso.
As pacas vivem em grupos familiares, geralmente com duas fêmeas para cada macho. A introdução de novos animais deve ser gradual, permitindo a adaptação ao cheiro para evitar conflitos.
Ciclo produtivo e mercado
A reprodução das pacas é considerada lenta, com a gestação durando até quatro meses e normalmente resultando em um único filhote por cria.
O desmame ocorre aos três meses, seguido pelas fases de recria (até sete meses) e engorda (até doze meses), momento em que os animais atingem um peso entre 7 kg e 9 kg, ideal para abate.
O controle do plantel é realizado através da obrigatoriedade de um microchip, que permite a identificação individual dos animais.
Quanto à rentabilidade, existem duas principais formas de atuação:
Carne: frigoríficos pagam cerca de R$ 100 por quilo do animal vivo, mas a viabilidade depende de uma escala mínima de produção;
Reprodutores: a venda de matrizes para outros criadores pode ser mais lucrativa, com preços variando entre R$ 2.500 e R$ 3.000 por animal.
Valor gastronômico
A carne de paca é apreciada pela sua maciez e suculência, com um sabor levemente adocicado, frequentemente comparado ao da carne suína
