Criptografia pós-quântica ganha atenção das empresas antes da chegada de computadores quânticos
Preparação para a criptografia pós-quântica é essencial para empresas.
A computação quântica, embora ainda não represente uma ameaça imediata para a segurança digital, exige que as empresas comecem a preparar suas infraestruturas para a criptografia pós-quântica (PQC).
Computadores quânticos avançados têm o potencial de comprometer os algoritmos que atualmente protegem transações digitais e informações corporativas. A transição para a criptografia pós-quântica deverá ocorrer ao longo de vários anos, abrangendo diferentes camadas da infraestrutura tecnológica das organizações.
Um estudo realizado por especialistas em computação quântica sugere que, até 2040, há uma probabilidade de 50% de que um computador quântico consiga quebrar uma chave RSA de 2048 bits em menos de 24 horas. Essa previsão destaca a necessidade urgente de adaptação das empresas.
Um dos principais riscos que as organizações enfrentam é o modelo de ataque conhecido como “harvest now, decrypt later”. Nesse cenário, criminosos capturam dados criptografados com a intenção de descriptografá-los no futuro, quando a tecnologia quântica estiver disponível.
O governo dos Estados Unidos já estabeleceu um cronograma para a adoção de criptografia pós-quântica em sistemas de segurança nacional. A partir de janeiro de 2027, novos sistemas de segurança nacional deverão atender aos requisitos da Commercial National Security Algorithm Suite 2.0, que inclui algoritmos de criptografia pós-quântica padronizados.
A implementação dessas medidas deverá ser concluída até 2031, com o objetivo de uma adoção integral até 2035. Embora as datas não sejam obrigatórias para o setor privado, elas servem como um guia para fornecedores e organismos de padronização.
A transição para algoritmos pós-quânticos exigirá mudanças significativas na infraestrutura. Esses novos algoritmos demandam tamanhos de chaves e requisitos computacionais diferentes, o que impactará o desempenho e a compatibilidade de hardware e software.
A Intel já está incorporando criptografia de memória AES-256 em seus processadores Xeon, e futuras plataformas deverão incluir algoritmos pós-quânticos para funções críticas. A empresa também está desenvolvendo recursos para minimizar o impacto das operações criptográficas no desempenho.
Para as empresas, o primeiro passo é mapear onde a criptografia está presente, quais algoritmos estão em uso e a duração da proteção necessária para cada conjunto de dados. Isso inclui informações em trânsito e armazenadas, além de certificados e chaves de assinatura.
É recomendável priorizar a proteção de informações de alto valor e desenvolver arquiteturas que possibilitem a troca de algoritmos sem causar interrupções nos sistemas. Essa abordagem, conhecida como “agilidade criptográfica”, será crucial para garantir a segurança a longo prazo.
