Crise de memória RAM pode intensificar alta nos preços dos automóveis
A escassez de chips afeta a indústria automotiva com aumento nos preços de memória.
A indústria automotiva enfrenta um aumento significativo nos preços de memória, que impacta diretamente a produção de veículos. A tela do painel, a câmera de ponto cego e sistemas de assistência à condução dependem de uma mesma família de chips, cuja demanda tem crescido de forma alarmante.
As montadoras estão solicitando intervenções governamentais para garantir o fornecimento de memória, seguindo o exemplo de grandes empresas de tecnologia. A escassez de chips e o aumento dos preços têm sido comparados a crises passadas, com líderes do setor alertando sobre uma situação crítica.
As principais fabricantes de DRAM, como Samsung, SK Hynix e Micron, controlam a maior parte do mercado automotivo. Essas empresas estão priorizando a produção de chips de memória de maior margem de lucro, deixando a indústria automotiva em uma posição vulnerável. A previsão é de que a produção de chips para veículos se torne ainda mais escassa nos próximos anos, com prazos de entrega se estendendo para mais de um ano.
Em 2021, a demanda por microcontroladores já havia causado uma crise, e agora, a situação se agrava com a priorização de setores que pagam mais pelos componentes. A homologação de chips para veículos é um processo demorado, o que torna a escassez ainda mais preocupante.
Estudos indicam que a quantidade de memória nos veículos está aumentando consideravelmente, com expectativas de que o carro médio possua até 278 GB de memória até 2026. Modelos mais avançados podem chegar a ter até 2 TB, refletindo a crescente complexidade dos sistemas automotivos.
A memória LPDDR4, utilizada em sistemas de infoentretenimento e assistência à condução, viu seus preços aumentarem drasticamente, com novos contratos prevendo elevações de até 100% em relação ao ano anterior. Essa situação é preocupante, especialmente para veículos de entrada, onde o custo dos componentes pode representar uma parte significativa do preço final.
Os grandes grupos automotivos enfrentam margens de lucro cada vez mais apertadas, com alguns já operando no vermelho. Modelos de negócios estão mudando, e as montadoras estão buscando novas formas de receita, como serviços financeiros e opções de financiamento, para compensar a pressão nos custos.
Apesar do aumento nos preços dos componentes, a produção de veículos não deve ser interrompida, pois as montadoras estão dispostas a pagar mais para garantir o fornecimento. No entanto, isso pode levar a um aumento nos preços finais dos veículos, especialmente nos modelos de uso geral, que podem ser forçados a eliminar versões mais acessíveis.
É importante notar que, com as novas tecnologias se tornando padrão, não há mais espaço para cortes em recursos essenciais como memória. As montadoras estão priorizando a inclusão de recursos avançados em seus veículos, mesmo que isso signifique ajustes nos preços e na estrutura de vendas.
