Crise no STF e combate a facções marcam debate sem a presença de Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos
Debate eleitoral destaca crise no STF e críticas a líderes ausentes
Os candidatos à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), participaram de um debate no Flow Podcast, realizado no Teatro Baccarelli, em São Paulo, e transmitido ao vivo pelo YouTube.
Durante o encontro, os participantes abordaram questões relevantes como a crise no Poder Judiciário, economia, educação, saúde e segurança pública. Os candidatos também aproveitaram para criticar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, que não compareceram ao evento.
Este foi o quarto compromisso do qual tanto Lula quanto Flávio se ausentaram, demonstrando uma tendência de evitar debates com os concorrentes. O debate se concentrou em temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal, incluindo propostas de reforma e o escândalo do Banco Master.
Caiado propôs a implementação de uma idade mínima de 60 anos para ministros do STF, com mandatos de 12 anos e a exigência de quarentena ao final do exercício. Zema, em sua fala, sugeriu “colocar para fora” os ministros do STF, referindo-se ao processo de impeachment que poderia ser analisado na próxima legislatura do Senado.
O ex-governador de Goiás enfatizou que a avaliação dos ministros do Supremo deve levar em conta a falta de decoro na proteção à Constituição. Ele argumentou que os ministros não devem usar a Corte como um escudo para práticas ilícitas.
Caiado também criticou o governo de Jair Bolsonaro, mencionando investigações relacionadas ao caso “Dark Horse”, que envolve Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O candidato expressou preocupação com a situação em que tanto o presidente quanto o senador estão sob análise do STF.
O escândalo do Banco Master foi abordado por Zema, que tentou vincular a questão ao governo de Rui Costa (PT), ex-governador da Bahia, e acusou o presidente Lula de desinformar sobre a responsabilidade do caso.
Em relação à segurança pública, Cury defendeu a integração das polícias civil e militar e a valorização dos salários dos agentes de segurança. Ele também questionou Caiado sobre o aumento dos índices de feminicídio em Goiás, ao que o candidato respondeu que a estatística não era verdadeira.
O debate também incluiu discussões sobre economia, onde Cury criticou a falta de responsabilidade fiscal do governo Lula, enquanto Caiado destacou a importância de controlar gastos e cortar incentivos fiscais, com base em sua experiência na gestão goiana.
Quando o assunto foi educação, Zema mencionou as parcerias público-privadas que implementou em seu governo e propôs replicá-las em nível federal, caso seja eleito.
Sobre a política externa, Zema desviou de uma pergunta sobre a participação de brasileiros na guerra da Ucrânia, enfatizando que a verdadeira ameaça à soberania do Brasil vem do crime organizado interno.
Cury manifestou-se contra o envio de soldados brasileiros para a Ucrânia, defendendo que o foco deve ser na proteção dos jovens e no fortalecimento das Forças Armadas e da Polícia Federal.
Os candidatos também discutiram políticas sociais, com Caiado e Zema defendendo a facilitação de acesso a exames de DNA para mulheres em situações de abandono.
Zema questionou Caiado sobre a permanência do Brasil nos Brics, e embora Caiado tenha se mostrado favorável, ele demonstrou desconhecimento sobre a composição do grupo. Zema criticou a presença do Irã no bloco, afirmando que o Brasil deve se alinhar a nações civilizadas.
Desde o início da campanha, Lula indicou que não participaria de debates do primeiro turno, e Flávio Bolsonaro também sinalizou que não compareceria caso Lula não estivesse presente. Vários compromissos de debate foram cancelados devido à ausência dos líderes nas pesquisas.
Outros debates entre presidenciáveis estão programados para as próximas semanas, organizados por emissoras de televisão, antes do primeiro turno das eleições.