Crosta terrestre sob a Itália se abre a centenas de quilômetros de profundidade
Estudo revela fenômeno geológico inusitado sob os Apeninos na Itália.
Recentemente, uma equipe de geólogos italianos fez uma descoberta surpreendente sobre a crosta terrestre sob a cordilheira dos Apeninos, que se estende por 1.400 quilômetros de norte a sul da Itália. A pesquisa revelou que essa região está passando por um processo geológico que se assemelha a um zíper sendo aberto lentamente, estendendo-se por mais de 500 quilômetros.
Os pesquisadores analisaram dados de satélites e registros de tremores de terra acumulados ao longo de décadas. Essa investigação ajudou a esclarecer uma questão que intrigava os cientistas há anos, revelando novos aspectos sobre a dinâmica tectônica da região.
A “sanfona” tectônica
Tradicionalmente, a formação de montanhas ocorre quando duas placas tectônicas colidem, comprimindo a crosta terrestre. No entanto, os Apeninos desafiam essa norma. Enquanto a cordilheira se formava, a placa tectônica que afundava sob a Itália começou a se retrair, esticando a crosta interna e dando origem ao Mar Tirreno, localizado na costa oeste do país.
Atualmente, os cientistas observam dois movimentos tectônicos opostos simultaneamente na região:
- No centro da cordilheira: a crosta está se esticando e elevando, afastando-se cerca de 4 milímetros por ano.
- Nas bordas externas: a crosta continua sendo comprimida e encolhendo, a uma taxa de 2 milímetros por ano.
Esse fenômeno, que se comporta como um “efeito sanfona”, não é totalmente explicável pela teoria clássica da tectônica de placas.
O segredo está na “delaminação”
Para entender o que está impulsionando esse “zíper” geológico, os pesquisadores investigaram camadas profundas da crosta terrestre, onde ocorre um fenômeno conhecido como delaminação. Esse processo envolve o descolamento da camada inferior da litosfera, que é mais densa e pesada, da parte superior, levando-a a afundar no manto terrestre.
Os cientistas mapearam uma área de 500 quilômetros sob a cordilheira, identificando uma região com crosta dupla. Esse local é onde o descolamento está acontecendo atualmente:
- Na frente do zíper (onde ainda está fechado): a parte inferior mais pesada permanece presa, “puxando” a crosta para baixo.
- Atras do zíper (onde já se abriu): a camada inferior pesada se soltou e afundou, permitindo que o material do manto, que é mais leve, preenchesse o espaço, fazendo a crosta remanescente subir e se esticar.