Cultura alimentar de 1825 se transforma em árvore invasora, enfrentada por drones e insetos dois séculos depois
Goiaba-morango: um desafio e uma solução no Havaí
O fruto vermelho-escuro e saboroso da goiaba-morango, conhecido como Psidium cattleianum, trouxe inicialmente alegria aos havaianos no século XIX. No entanto, a espécie rapidamente se tornou uma invasora problemática, causando preocupações ambientais significativas.
Embora a goiaba comum tenha chegado ao Havaí possivelmente no século XVI, a goiaba-morango foi introduzida em 1825. Acredita-se que sua popularidade tenha sido incentivada pelas autoridades locais, que viam a planta como uma fonte de alimento para a população. Desde então, a goiabeira se espalhou rapidamente, colonizando vastas áreas e se integrando à paisagem havaiana.
A Psidium cattleianum, nativa do sudeste do Brasil, adaptou-se bem ao ecossistema do Havaí. Sua capacidade de invadir florestas tropicais em ilhas oceânicas é notável, e a espécie também se estabeleceu em outras regiões, como Maurício e Seychelles. Essa invasão, no entanto, alterou drasticamente o ecossistema local, tornando-se uma das espécies invasoras mais preocupantes do mundo.
O impacto da goiabeira no ambiente havaiano é alarmante. Em 2021, a espécie era considerada a segunda mais abundante nas ilhas, competindo com as plantas nativas. Sua proliferação cria densos matagais que impedem o crescimento de outras espécies, acelerando a erosão do solo e dificultando a recarga dos aquíferos. A degradação do habitat da fauna nativa é uma consequência direta dessa invasão.
Pesquisas da Universidade do Havaí revelaram que florestas infestadas por goiabeiras perdem 27% mais água do que florestas nativas. Além disso, a queda dos frutos pode criar condições favoráveis para pragas, como a mosca-da-fruta-oriental, que afeta uma ampla variedade de frutas e vegetais.
As autoridades havaianas têm buscado maneiras de controlar a goiabeira-morango por anos. Em 2011, cientistas do Serviço Florestal dos EUA estavam em busca de soluções para conter a disseminação da planta. O desafio é complicado, pois a goiabeira se espalha rapidamente com a ajuda de animais que consomem seus frutos, e removê-la manualmente pode resultar em um crescimento ainda mais vigoroso.
Uma das soluções propostas inclui o uso do inseto cochonilha Tectococcus ovatus, nativo do Brasil, que pode ajudar a controlar a goiabeira sem prejudicar outras espécies. Embora não elimine a planta, o inseto pode reduzir sua capacidade de reprodução e invasão, contribuindo para a restauração do equilíbrio ecológico.
Além disso, a introdução de drones tem sido uma estratégia inovadora para disseminar o Tectococcus ovatus. Pesquisadores descobriram que o uso de pequenos veículos aéreos não tripulados pode acelerar a distribuição do inseto, embora a taxa de sucesso seja ligeiramente inferior ao método tradicional. Essa abordagem tem o potencial de melhorar o controle da goiabeira, promovendo um sistema de controle biológico eficaz.