Cúpula do Brics sinaliza reaproximação entre Índia e China na ausência de Lula

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Presidentes de Rússia e Irã chegam à Índia para cúpula do Brics em meio a tensões regionais.

Os presidentes da Rússia e do Irã desembarcaram na Índia nesta sexta-feira, véspera do início da cúpula do Brics, que ocorrerá em Nova Délhi neste fim de semana. O presidente do Brasil não estará presente, enquanto o evento simboliza uma reaproximação diplomática entre a Índia e a China.

A chegada do presidente chinês à capital indiana está prevista para sábado, marcando sua primeira visita ao país desde 2019. Este encontro é significativo, pois ocorre em um momento de lenta reaproximação entre os dois países, após um confronto militar em 2020 ao longo da fronteira no Himalaia. Desde então, as relações entre Nova Délhi e Pequim têm sido gradualmente restauradas, apesar da persistente desconfiança.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, expressou em mensagem de boas-vindas que o diálogo e a amizade devem ser estabelecidos com aqueles que são virtuosos. A porta-voz da diplomacia chinesa enfatizou a disposição da China em colaborar com a Índia, reforçando a comunicação e a cooperação, ao mesmo tempo em que se comprometeu a tratar as diferenças de forma adequada.

Fontes diplomáticas indianas indicam que Xi Jinping terá uma reunião privada com Modi durante a cúpula, o que poderá ser um passo importante para o fortalecimento das relações bilaterais.

Protestos ocorreram em Nova Délhi, com dezenas de tibetanos manifestando contra a visita de Xi, que é visto como uma afronta, já que a Índia abriga o líder espiritual tibetano no exílio, o Dalai Lama.

Ampliação do Brics gera desconforto

O Brics, formado em 2009 para unir grandes economias emergentes, como Brasil, Rússia, Índia, China e, posteriormente, África do Sul, tem se expandido, incluindo recentemente o Irã e os Emirados Árabes Unidos. A inclusão de novos membros gera discussões sobre a coesão interna do bloco.

Durante a tarde, Putin se reuniu com Modi para discutir questões regionais e globais, incluindo conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, que impactam o comércio marítimo e a segurança dos marinheiros indianos. O Brasil, membro fundador, será representado pelo chanceler, já que o presidente Lula está focado em sua campanha eleitoral.

As discussões em Nova Délhi também devem abordar o conflito no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e suas repercussões nos preços de petróleo e gás. O Irã, por sua vez, reafirmou sua disposição para uma solução negociada em conversas recentes com líderes russos e chineses, apesar das sanções dos Estados Unidos.

As relações entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, também membros do Brics, se tornaram tensas após ataques iranianos. Especialistas observam que a guerra contra o Irã será um divisor de águas durante a cúpula, refletindo as complexidades nas relações entre os países membros.

Posição da Índia

A Índia busca manter um equilíbrio em suas relações com o Irã e os Estados Unidos. Apesar das sanções, continua a importar petróleo da Rússia, o que gera críticas de Washington. Modi, em uma cúpula anterior, pediu a Putin uma solução para o conflito na Ucrânia, o que foi bem recebido por líderes ocidentais.

A cúpula deste fim de semana também poderá ser um espaço para discutir a crescente influência econômica da China, que tem ampliado suas exportações para seus parceiros do Brics, especialmente a Índia.

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