Cúpula do Mercosul aponta desigualdades em relação à UE e se prepara para negociações com a China

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Mercosul avança em negociações comerciais com a China e outros parceiros

Durante a 68ª cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção do bloco de iniciar negociações comerciais com a China, ampliando sua agenda de acordos com outros países.

Lula destacou que o Mercosul já está em negociações com o Canadá, Índia e Vietnã, além de ter começado tratativas para uma parceria econômica com o Japão. O presidente enfatizou a importância de se aproximar dos mercados mais dinâmicos do mundo.

“O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, afirmou.

  • 🔎O Mercosul é um bloco econômico regional sul-americano criado em 1991, atualmente integrado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com o objetivo de promover a integração econômica e aduaneira, e a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países membros.

No entanto, Lula também criticou o que chamou de “alinhamento automático” e “escolhas excludentes” na política externa. Ele defendeu que nenhum país do Mercosul deve se sentir mais livre através de tais alinhamentos.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, aproveitou a ocasião para criticar as “assimetrias” na implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Ele questionou a eficácia das negociações com a Europa se o acesso a novos mercados não beneficiar igualmente todos os países do bloco.

“Para que negociamos com a Europa se o acesso a novos mercados não há de servir para desenvolver o que ainda não está desenvolvido?”, afirmou Peña.

A divisão das cotas de exportação com tarifas reduzidas para a Europa foi um ponto central em sua crítica, ressaltando que as condições não são iguais para todos os membros do Mercosul.

Peña pediu uma revisão da distribuição das cotas e cobrou “resultados concretos” para corrigir as “assimetrias”, expressando um “gosto amargo” da implementação inicial do acordo.

“Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser justo para dentro”, afirmou. “O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça”, acrescentou.

Solidariedade à Venezuela

Os líderes do Mercosul também expressaram solidariedade à Venezuela, em decorrência dos terremotos que afetaram o país na semana passada. Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

“Quero começar a minha fala dedicando minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada”, disse o presidente brasileiro.

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, informou que as autoridades de gestão de risco dos países do Mercosul estão coordenando ações conjuntas para ajudar a Venezuela, embora não tenha detalhado quais medidas seriam adotadas.

Apoio ao governo da Bolívia

Na reunião, os países do Mercosul reafirmaram seu apoio ao governo do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, que enfrenta uma crise política e bloqueios rodoviários.

Peña manifestou “firme repúdio a toda tentativa de desestabilizar a república irmã da Bolívia” e declarou apoio ao governo de Paz, eleito “em eleições livres e justas”. Orsi também expressou solidariedade ao povo boliviano.

Paz, por sua vez, agradeceu o apoio dos outros países do bloco e lamentou os terremotos na Venezuela, destacando que a Bolívia atravessa “momentos complexos”, com “ameaças à ordem institucional”.

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