Datafolha revela que 59% acreditam que Moraes agiu incorretamente ao barrar visita de Flávio Bolsonaro ao pai
Pesquisa revela que 59% dos brasileiros desaprovam decisão de Moraes sobre Flávio Bolsonaro.
A recente pesquisa mostra que a maioria da população brasileira desaprova a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por um período de 90 dias.
De acordo com os dados coletados, 59% dos entrevistados consideram que Moraes agiu de forma errada ao impor essa restrição. Em contrapartida, 36% acreditam que a medida foi correta, enquanto 2% a veem como neutra. Um total de 4% dos participantes não souberam opinar.
Além disso, a pesquisa indica que a maioria da população é favorável à permanência de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Para 59% dos entrevistados, o ex-presidente deve continuar cumprindo pena em casa, enquanto 35% defendem que ele não deveria permanecer nesse regime. Outros 6% não responderam.
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o sistema prisional em março deste ano, após autorização de Moraes para cumprir a pena em casa, devido a questões de saúde. Essa decisão incluiu várias restrições, como a proibição de uso de telefone celular, acesso à internet e redes sociais, mesmo que por intermédio de terceiros.
Conforme o levantamento, 62% dos entrevistados concordam que o ex-presidente não deve utilizar redes sociais durante o cumprimento da prisão domiciliar. Por outro lado, 35% acreditam que ele deveria ter acesso a essas plataformas, enquanto 3% não souberam responder.
A proibição de Flávio Bolsonaro de visitar o pai foi determinada por Moraes neste mês. Além da restrição de visitas ao senador por 90 dias, o ministro suspendeu as visitas de outros familiares por 30 dias, proibiu contatos de natureza político-eleitoral até o fim das eleições e vedou a divulgação de manifestos atribuídos ao ex-presidente.
A decisão foi motivada por um evento realizado no dia 11, no qual Flávio leu uma carta escrita por Jair Bolsonaro, mencionando que o conteúdo seria divulgado nas redes sociais. No documento, o ex-presidente se referia ao senador como seu “porta-voz” e o apresentava como seu representante político.
Para Moraes, o episódio configurou uma violação das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, uma vez que a manifestação foi utilizada indiretamente para divulgação pública, desrespeitando a proibição de uso das redes sociais.
A defesa do ex-presidente contestou a decisão, argumentando que as restrições extrapolam os efeitos da condenação e afetam direitos relacionados à liberdade de expressão. Flávio Bolsonaro também criticou a medida, chamando-a de “ilegal, desproporcional, covarde e cruel”, e alegou que a decisão representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
A pesquisa foi realizada com 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026.
