Debates perdem relevância nas eleições enquanto PSDB enfrenta crise de identidade

Compartilhe essa Informação

A polarização política e o papel das redes sociais redefinem os debates eleitorais no Brasil.

A ascensão das redes sociais e a polarização entre lulismo e bolsonarismo têm relegado os tradicionais debates entre candidatos a um segundo plano nas eleições presidenciais. Essa análise foi o foco da quinta edição do Radar das Eleições, que também abordou a crise de identidade do PSDB.

O programa, apresentado por Paula Comassetto, contou com a participação de Gustavo Porto, editor de Política, e do cientista político Henrique Curi, consultor da Metapolítica Consultoria.

Henrique Curi destacou que os debates tradicionais mudaram de função em comparação a eleições anteriores. Em vez de serem ferramentas para conquistar eleitores indecisos, os debates agora servem principalmente para que os candidatos reforcem suas posições já consolidadas e gerem conteúdo para as redes sociais.

“As redes sociais potencializam esse caráter do debate eleitoral, que prega para convertido”, afirmou Curi. Segundo ele, é raro que um eleitor com uma preferência definida altere sua opinião apenas com base no desempenho dos candidatos durante o debate, uma vez que essa preferência muitas vezes já foi moldada nas redes sociais.

Redes sociais criam “bolhas” e mudam função dos debates

A lógica dos algoritmos das redes sociais contribui para esse fenômeno. Ao identificar as preferências dos usuários, as plataformas tendem a oferecer conteúdos que reforçam essas preferências, criando “câmaras de eco”. Isso resulta em uma exposição reduzida a opiniões divergentes e uma segmentação crescente na relação dos eleitores com a política.

Nesse contexto, a importância do debate se desloca do conteúdo integral apresentado pelos candidatos para os trechos que podem repercutir nas redes sociais. Os candidatos precisam, além de responder a ataques, produzir momentos que gerem cortes e se tornem virais nas plataformas digitais.

“No debate eleitoral, o que o candidato precisa é também gerar conteúdo para as redes sociais”, observou Curi.

Ausência de Lula e Flávio pode ser estratégia eleitoral

A diminuição da relevância dos debates e a polarização política recente ajudam a entender a decisão de candidatos como Lula e Flávio Bolsonaro de não participarem de confrontos, como o realizado pelo Grupo Bandeirantes no último domingo, que iniciou o calendário de debates deste ano.

A ausência pode ser uma estratégia eleitoral racional para aqueles que já possuem um eleitorado consolidado. No caso de Flávio Bolsonaro, Curi argumentou que sua decisão fazia sentido, pois os outros candidatos tinham maior interesse em atacá-lo e desviar votos de sua base. “Todos os outros candidatos querem tirar voto dele”, afirmou.

Para candidatos menos conhecidos, como Romeu Zema, a lógica poderia ser diferente. Com baixa rejeição, mas também menor reconhecimento nacional, Zema teria pouco a perder e poderia usar o debate para aumentar sua visibilidade.

O debate analisado no programa também evidenciou como diferentes estilos de formação política podem resultar em desempenhos variados. Renan Santos, ligado às redes sociais, adotou uma postura mais agressiva, enquanto Ronaldo Caiado se apresentou de forma mais ponderada, e Augusto Cury mostrou um perfil mais conciliador.

O fim da hegemonia do PSDB

A discussão sobre a transformação dos debates levou o programa a abordar o enfraquecimento dos partidos tradicionais, especialmente o PSDB. O partido, que foi um dos principais protagonistas da política nacional por décadas, não terá candidato à Presidência pela segunda eleição consecutiva e, pela primeira vez, não indicou candidato ao governo de São Paulo, onde construiu uma de suas principais bases.

Segundo Curi, que possui mestrado sobre o PSDB, a decadência do partido não pode ser atribuída a uma única liderança ou evento. “É um processo multifatorial”, destacou, rejeitando explicações que responsabilizem figuras específicas como João Doria ou Aécio Neves.

Um momento crucial foi a eleição presidencial de 2002, quando o PSDB apresentou José Serra como candidato, mas optou por um discurso de “mudança” em vez de destacar o legado de dois mandatos de

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *