Decadência do chocolate brasileiro tem causas identificadas
Chocolates menores e mais caros refletem a crise econômica no Brasil.
Nos supermercados, a realidade dos chocolates se tornou evidente: produtos menores, mais caros e com sabor alterado. As tradicionais barras de 200 gramas, que eram comuns na década de 1990, foram reduzidas para 80 ou 90 gramas ao longo dos anos. Além disso, a manteiga de cacau, um ingrediente essencial, tem sido substituída por gorduras vegetais hidrogenadas e aromatizantes artificiais, resultando em produtos que muitas vezes apresentam apenas “sabor chocolate”.
A explicação simplista para essa situação é atribuir a culpa à ganância das empresas. No entanto, quem compreende o mercado reconhece que essa visão é superficial. Em um cenário competitivo, deteriorar a qualidade do produto pode resultar na perda de clientes para a concorrência. A prática de reduzir tamanhos e qualidade dos ingredientes não é uma estratégia de dominação, mas sim uma tentativa de sobrevivência em um ambiente econômico desafiador.
A inflação é um dos principais fatores que contribuem para essa degradação. Este problema, originado em decisões políticas, afeta diretamente o poder de compra da população. Quando o governo gasta mais do que arrecada, a moeda nacional perde valor, o que é agravado pela recente alta nos preços globais do cacau. A desvalorização do Real torna a importação de ingredientes de qualidade um desafio financeiro.
Adicionalmente, o chamado Custo Brasil pesa sobre a indústria nacional. A complexa carga tributária e os altos impostos em cascata encarecem a produção e a logística. Assim, se os fabricantes repassassem integralmente o custo de produção de uma barra de chocolate de 200 gramas com alto teor de cacau, o preço final seria inviável para a maioria dos consumidores. Para manter a acessibilidade, as empresas se veem obrigadas a diminuir a gramatura e a qualidade dos ingredientes.
A comparação com a década de 1990 ilustra a situação atual. Após a estabilização econômica com o Plano Real, o Brasil experimentou um aumento na qualidade dos produtos. Com a inflação controlada, os consumidores tinham maior poder de compra, e a indústria precisou se adaptar para competir com produtos importados. Atualmente, o cenário é inverso, com a economia estagnada e a inovação sufocada por barreiras tarifárias.
A postura do governo também levanta questões sobre a hipocrisia em suas ações. Enquanto cria condições inflacionárias que forçam a produção de alimentos ultraprocessados, o mesmo governo considera implementar um Imposto Seletivo sobre esses produtos, alegando proteção à saúde pública. Isso resulta em uma penalização dupla para os consumidores de baixa renda, que primeiro perdem o acesso a alimentos de qualidade e depois enfrentam impostos sobre as opções mais baratas disponíveis.
Para reverter a queda na qualidade dos alimentos, é necessário um amadurecimento econômico, como demonstram exemplos internacionais. Países com alta liberdade econômica, impostos justos e inflação controlada, como a Nova Zelândia e a Suíça, oferecem produtos de qualidade a preços competitivos devido à pressão da concorrência.
Se a intenção é retomar o consumo de chocolates de qualidade em porções adequadas, é imprescindível desburocratizar o setor produtivo, reduzir a carga tributária que onera a cadeia alimentar e promover uma abertura comercial que estimule a competitividade. A insatisfação com a qualidade dos produtos que chega ao consumidor é resultado da ineficiência e do excesso de intervenção estatal.
