Decisão de Gilmar que incluiu Renan Santos em debate se baseia em ação antiga no STF

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STF determina participação de Renan Santos em debate da TV Globo, gerando polêmica no cenário eleitoral.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que permitiu a participação do presidenciável Renan Santos, do Missão, no debate da TV Globo, marca uma estratégia processual incomum, mas que tem sido utilizada nas semanas que antecedem as eleições.

O pedido para a inclusão de Santos foi protocolado pelo partido Solidariedade, que faz parte da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não representa diretamente o candidato do Missão.

O Solidariedade apresentou a solicitação em um processo que estava em tramitação desde maio, relacionado a uma denúncia sobre campanha eleitoral antecipada.

No documento, o partido argumentou que a exclusão de Santos do debate seria injusta, especialmente considerando que o candidato Romeu Zema, do Novo, teria sua participação garantida, mesmo com índices de intenção de voto inferiores. O Solidariedade também destacou pesquisas que mostravam Santos alcançando até 6% das intenções de voto.

Gilmar Mendes acatou o pedido e revogou uma decisão anterior do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que já havia negado um pedido semelhante. A ação de Mendes também contradisse a posição da ministra Cármem Lúcia, que havia rejeitado a inclusão de Santos.

A situação surgiu a partir de uma ação do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que buscava reverter uma condenação da Justiça Eleitoral do Paraná por campanha antecipada, que resultou na remoção de um post nas redes sociais e na aplicação de uma multa de R$ 15 mil.

Após isso, outros políticos, incluindo ex-ministros como Gleisi Hoffmann e Renan Calheiros Filho, também se manifestaram dentro dessa ação para contestar decisões de juízes locais.

A última decisão do STF, ocorrida na terça-feira, 29, garantiu a Renan Santos a veiculação de propaganda eleitoral relacionada a investimentos do Instituto de Previdência de Maceió em letras financeiras do Banco Master.

O processo havia ficado estagnado até o Solidariedade entrar com a nova petição sobre Renan Santos na quinta-feira, 1º.

Essa abordagem tem se tornado comum na atual campanha. Gilmar Mendes, por exemplo, já havia decidido, no dia 18, que o ato do governo Lula que reajustou o Bolsa Família antes das eleições era legal, mesmo com questionamentos no TSE.

Uma situação semelhante ocorreu com o ministro Flávio Dino, que reverteu uma decisão de André Mendonça que bloqueava publicações nas redes sociais associando o senador Flávio Bolsonaro a um projeto para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Posteriormente, a decisão de Dino foi anulada pelo ministro Luiz Fux.

A confusão jurídica relacionada a esses casos seria analisada no plenário do STF, mas o julgamento foi adiado. Recentemente, o plenário do STF decidiu sobre as postagens envolvendo Nossa Senhora e manteve a decisão de Mendonça de remover os conteúdos que acusavam Flávio Bolsonaro de apoiar um projeto já arquivado.

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