Declarações de Flávio sobre urnas geram desconforto entre diplomatas e podem impactar eleições
Diplomatas criticam declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas em evento internacional.
BRASÍLIA, DF – Durante um evento com o senador Flávio Bolsonaro, diplomatas expressaram preocupação com suas declarações sobre as urnas eletrônicas, que consideraram inadequadas e potencialmente prejudiciais às eleições brasileiras.
Flávio afirmou à plateia internacional que as urnas utilizadas na Venezuela são da mesma empresa que fornece equipamentos ao Brasil, uma afirmação falsa. Ele também mencionou um suposto relatório da CIA que envolveria a empresa Smartmatic em fraudes eleitorais na Venezuela em 2012.
Um embaixador presente no evento, que pediu anonimato, comentou que, embora Flávio tenha afirmado não querer questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, suas comparações com a Venezuela não eram apropriadas. O embaixador destacou que uma apresentação recente do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia reforçado a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.
Em 2020, informações sobre a Smartmatic já haviam sido desmentidas, com a Justiça Eleitoral esclarecendo que a empresa nunca forneceu urnas ou softwares para o Brasil, embora tenha prestado serviços de treinamento para suporte técnico.
Outro diplomata observou que, inicialmente, ele interpretou as declarações de Flávio como uma defesa da posição de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, deslegitimando as eleições de 2022. No entanto, refletindo mais, começou a questionar se o senador estava, na verdade, tentando deslegitimar as próximas eleições, o que poderia lançar dúvidas sobre a integridade do pleito de outubro.
Esse interlocutor expressou preocupação com a possibilidade de que questionar a confiabilidade do sistema de votação fosse, na verdade, um ataque à democracia, o que poderia ser prejudicial para o país.
Em resposta às críticas, Flávio afirmou que suas declarações não colocam em dúvida o processo eleitoral brasileiro e que a presença de observadores internacionais é uma prática comum em diversas democracias, reforçando a transparência eleitoral.
Horas depois, sua campanha divulgou uma nota afirmando que o pré-candidato não questionou a integridade do sistema de votação e que se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA. A nota reiterou a confiança de Flávio no sistema eleitoral brasileiro e a importância das missões de observação internacional.
Flávio participou de uma rodada de eventos em Brasília promovida pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, que reuniu lideranças brasileiras e representantes diplomáticos de mais de 40 países.
Alguns participantes relataram que o senador demonstrou pouco domínio sobre questões internacionais, focando apenas em investimentos estrangeiros na economia brasileira, sem mencionar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
