Defesa de Vorcaro conclui proposta de delação para apresentar a investigadores da PF e PGR nesta semana
Daniel Vorcaro, do Banco Master, está prestes a entregar proposta de delação premiada.
A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, está finalizando os últimos ajustes em sua proposta de delação premiada, que será entregue aos investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República nesta semana.
Os advogados do banqueiro indicaram que conseguiram estabelecer um escopo satisfatório para a delação, e o material está praticamente pronto. No entanto, a formalização da entrega ainda não ocorreu. A proposta será tratada sob sigilo e será apresentada simultaneamente às equipes da PF e da PGR.
O documento que será entregue contém uma lista de temas a serem abordados na delação, conhecidos como “anexos” do acordo. Cada anexo trata de um assunto distinto, incluindo a indicação de pessoas envolvidas e meios de prova relacionados aos fatos.
A entrega da proposta representa uma nova fase no processo de delação, embora ainda esteja longe de um desfecho. Com o documento em mãos, os investigadores irão avaliar a consistência e a originalidade dos relatos apresentados por Vorcaro. Isso permitirá iniciar uma negociação concreta com os advogados sobre as condições de pena e devolução de recursos.
Se os investigadores considerarem que o conteúdo apresentado é consistente, o processo seguirá com a coleta de depoimentos de Vorcaro e, eventualmente, a assinatura do acordo de colaboração premiada. Contudo, a PF e a PGR também têm a opção de rejeitar a proposta ou solicitar complementos caso achem as informações insuficientes.
A defesa de Vorcaro planeja incluir como peça complementar do acordo uma delação de seu cunhado, Fabiano Zettel, que é apontado como operador financeiro de pagamentos ilícitos nas investigações.
Zettel já trocou sua equipe de defesa para avançar com sua própria delação, mas não busca uma negociação independente, preferindo oferecer os acordos em conjunto com Vorcaro. Além disso, Vorcaro deve solicitar proteção para outros dois familiares mencionados nas investigações: seu pai, Henrique, e sua irmã, Natália.
Os investigadores já alertaram desde o início do processo que a proposta de delação deve apresentar novos elementos de prova, além daqueles já obtidos no celular do banqueiro, e incluir fatos novos. Dada a quantidade significativa de evidências já coletadas sobre as suspeitas de crimes financeiros do Banco Master e outros delitos associados a Vorcaro, a análise do conteúdo da delação será rigorosa.
Os investigadores esperam que Vorcaro esclareça, em sua proposta, sua relação com políticos e membros do Judiciário.
Vorcaro foi preso pela segunda vez no dia 4 de março. Em 19 de março, ele assinou um termo de confidencialidade para iniciar as negociações de delação e foi transferido do presídio federal de segurança máxima para a Superintendência da PF em Brasília, com o intuito de elaborar o acordo com seus defensores.
Esse processo durou cerca de 45 dias e envolveu visitas diárias da equipe de advogados do banqueiro. A defesa teve acesso à cópia da extração do telefone celular de Vorcaro, que foi uma das fontes de prova utilizadas para construir a proposta.
Enquanto Vorcaro elaborava sua delação, a investigação da Compliance Zero também ganhou um novo potencial delator, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa. Preso em 16 de abril, sua defesa já manifestou interesse em colaborar e solicitou sua transferência para um local onde possa se comunicar com seus advogados para desenvolver sua proposta de delação.
