Deputada gaúcha solicita reconhecimento de calamidade pública no RS devido aos feminicídios
Deputada Laura Sito solicita estado de calamidade pública devido ao aumento de feminicídios no RS.
A deputada estadual Laura Sito, do Partido dos Trabalhadores (PT), entregou um ofício ao governo do Estado solicitando o reconhecimento do estado de calamidade pública em razão do alarmante aumento de feminicídios. O documento destaca que, nos primeiros 27 dias do ano, ocorreram dez mortes de mulheres em assassinatos de gênero no Rio Grande do Sul, além de um significativo número de ataques, onde para cada feminicídio há três sobreviventes.
De acordo com a deputada, a declaração de calamidade permitirá a implementação de ações emergenciais, flexibilização de procedimentos e aumento de investimentos, o que resulta em mais recursos e uma melhor coordenação entre os órgãos públicos. Para Sito, a situação atual representa uma emergência contínua.
Ela enfatiza que “o feminicídio é a expressão mais brutal de uma violência estrutural e cultural profundamente enraizada em nossa sociedade. Não há como o Estado se omitir e nem tratar como casos isolados aquilo que, na verdade, apresenta um padrão sistemático”.
No ofício, a deputada também destaca a iminente chegada do Carnaval, um período comumente associado ao aumento da violência de gênero, especialmente em ambientes com consumo de álcool e grandes aglomerações. “Carnaval não pode ser sinônimo de medo para as mulheres. O governo precisa agir agora, com medidas excepcionais, antes que mais vidas sejam perdidas”, alerta.
Laura Sito faz ainda um apelo para que haja um reforço imediato na rede de proteção às vítimas, incluindo a ampliação do plantão em delegacias especializadas e a mobilização de recursos de forma extraordinária. “O pedido busca garantir respostas urgentes e estruturais para conter a escalada da violência e impedir que o poder público siga se omitindo diante da morte de mulheres no Rio Grande do Sul”, conclui.
Resumo cronológico
– 5 de janeiro, Guaíba: Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, bombeira civil de 31 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro, que tentou simular um suicídio.
– 14 de janeiro, Canguçu: Letícia Foster Rodrigues, de 37 anos, foi encontrada morta em vegetação, mesmo com medida protetiva contra o ex-parceiro, que foi preso distante do local.
– 18 de janeiro, Santa Rosa: Marinês Teresinha Schneider, de 54 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-marido, apesar de ter uma medida protetiva em vigor.
– 18 de janeiro, Porto Alegre: Josiane Natel Alves, de 32 anos, foi esfaqueada em frente à filha. O ex-companheiro foi preso em flagrante.
– 19 de janeiro, Porto Alegre: Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos, foi morta a facadas pelo ex-parceiro enquanto aguardava um ônibus.
– 20 de janeiro, Sapucaia do Sul: Mirella Santos, de apenas 15 anos, foi assassinada pelo namorado, que tinha uma diferença de idade significativa. Ela havia encerrado a proteção da Patrulha Maria da Penha.
– 20 de janeiro, Muitos Capões: Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, foi morta a tiros pelo ex-marido logo após assinar o divórcio.
– 24 de janeiro, Novo Hamburgo: Karizele Oliveira Senna, de 30 anos, foi assassinada diante das filhas pelo ex-marido, que tinha histórico de violência doméstica.
– 25 de janeiro, Tramandaí: Leila Raquel Camargo Feltrin, de 24 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, apesar de ter acionado a Brigada Militar anteriormente.
– 26 de janeiro, Santa Cruz do Sul: Paula Gomes Gonhi, de 44 anos, foi morta a facadas pelo ex-parceiro em sua residência.
