Deputado denuncia suposta influência da Sports Media no Cade ao MPF
Deputado solicita investigação sobre possível tráfico de influência no setor esportivo.
O deputado Luciano Amaral (PSD-AL) apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a investigação do CEO da Sports Media Entertainment, Bruno Henrique Pimenta da Silva, e do controlador da empresa, Carlos Gamboa. A solicitação surge após um e-mail da empresa que, segundo o parlamentar, pode indicar tráfico de influência e outras irregularidades.
A origem do caso remonta a uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que favoreceu o CSA, de Alagoas. O clube questionou cláusulas contratuais que dificultavam a saída de equipes do Futebol Forte União (FFU), um bloco formado por clubes para negociar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, com a Sports Media como investidora. O Cade determinou que a empresa não criasse obstáculos para a saída dos integrantes do grupo.
Após essa decisão, clubes como Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário-PR manifestaram oficialmente a intenção de deixar o FFU. Eles condicionaram a permanência à revisão das regras de saída e ao cumprimento das determinações do Cade, garantindo que poderiam se desligar livremente da associação no futuro.
No contexto dessa situação, o e-mail mencionado na representação gerou polêmica. Bruno Henrique comunicou aos clubes que a equipe jurídica da Sports Media estava em contato com os conselheiros do Cade e expressou a expectativa de que a decisão fosse revertida em breve. Essa comunicação foi interpretada por alguns dirigentes como uma insinuação de influência sobre a autarquia responsável por reavaliar o caso.
A Sports Media também anexou uma nota ao e-mail, defendendo que a decisão do Cade foi tomada antes do término do prazo para apresentação de informações, durante a fase preparatória do procedimento administrativo. Luciano Amaral argumenta que cabe ao MPF investigar se houve tentativa de influenciar agentes públicos ou obter vantagens econômicas, o que poderia configurar tráfico de influência.
O Futebol Forte União, atualmente composto por 33 clubes brasileiros, foi criado em 2022 por equipes que divergiam do modelo proposto pela Libra, com a Sports Media como investidora. A representação do deputado também menciona possíveis crimes contra a honra de integrantes do Cade, como difamação e calúnia, e solicita a investigação da participação de Carlos Gamboa no envio do e-mail.
Amaral pede que o MPF instaure um procedimento investigativo, obtenha o conteúdo completo da mensagem e seus metadados, ouça os envolvidos e identifique todos os que participaram da elaboração e envio do e-mail.
A Sports Media, em nota, defendeu que a decisão do Cade resulta de um “entendimento incorreto sobre os fatos” e não gera “efeitos práticos relevantes”. A empresa afirmou que buscará reverter a medida administrativa. No entanto, para Luciano Amaral, a rapidez com que a empresa se manifestou e a referência a contatos com conselheiros do Cade justificam a necessidade de uma investigação pelo MPF.
