Deputado estadual eleito no RJ e ex-chefe da Polícia Civil são presos em operação da PF contra lavagem de dinheiro
Deputado e ex-chefe da Polícia Civil são presos em operação contra lavagem de dinheiro no Rio
A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira, o deputado estadual eleito Márcio Canella e o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Marcus Amim, durante uma operação destinada a combater a lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis.
As investigações revelam que um grupo criminoso estaria movimentando mais de R$7 bilhões em atividades relacionadas a postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro, conforme apurado na oitava fase da operação Unha e Carne.
A PF informou que a Justiça expediu 6 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos em diversas cidades do estado, incluindo Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa armada que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. A corporação destacou que o grupo é composto por agentes públicos e possui articulação político-institucional.
As investigações indicam que quase 100 postos de combustíveis estavam envolvidos na lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que, nos últimos seis anos, foram movimentados R$7,6 bilhões na rede de postos investigada.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas associadas à rede de lavagem de dinheiro.
Márcio Canella já havia sido preso em julho deste ano durante a sexta fase da operação Unha e Carne, quando um fuzil foi encontrado em um veículo de sua propriedade. Ele foi prefeito de Belford Roxo e, após uma tentativa de candidatura ao Senado, elegeu-se para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo União Brasil, obtendo 197.178 votos.
Os investigados enfrentarão acusações de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes que podem surgir durante as investigações.
Até o momento, representantes de Canella e Amim não se manifestaram sobre as prisões.