Derrotas, prisão e a fragilidade de Trump: o futuro dos Bolsonaro
A família Bolsonaro enfrenta reveses eleitorais e judiciais em 2026.
A família Bolsonaro chega ao final de 2026 enfrentando uma série de reveses eleitorais e judiciais. Flávio Bolsonaro perdeu a disputa pela Presidência da República, Jair Bolsonaro pode perder sua patente militar e Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos após ser condenado pelo STF.
Recentemente, as eleições legislativas americanas adicionaram uma nova dinâmica ao cenário. A diminuição do espaço dos republicanos no Congresso pode resultar em maior fiscalização sobre as decisões do governo de Donald Trump, que é um aliado político da família Bolsonaro.
Embora o resultado não indique um rompimento entre Trump e os brasileiros, ocorre em um momento delicado para Flávio e Eduardo, que enfrentam desafios relacionados às suas situações jurídicas e migratórias nos Estados Unidos.
No Brasil, a derrota presidencial de Flávio também frustrou a expectativa de que um membro da família pudesse assumir o Palácio do Planalto em 2027, enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena por sua suposta participação em uma tentativa de golpe.
A derrota de Flávio no segundo turno, realizada em 25 de outubro, foi um dos principais reveses eleitorais da família. Ele obteve 48,21% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 51,79%, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Flávio não aceitou o resultado e anunciou sua intenção de anular a eleição, alegando irregularidades, especialmente em relação à prorrogação do horário de votação determinada pelo STF.
Após a divulgação dos resultados, ele afirmou: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições.”
Ele também criticou a decisão de estender o horário de votação, afirmando: “Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo.”
A decisão de prorrogar o horário de votação foi baseada em dificuldades relatadas no transporte de eleitores e em pedidos de ambas as campanhas, incluindo a de Flávio.
A derrota não foi reconhecida por Flávio, mas foi aceita por dirigentes de partidos que o apoiaram. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, parabenizou Lula e ressaltou a responsabilidade do novo mandato em governar para todos os brasileiros.
Após a eleição, Flávio deixou o Brasil e se dirigiu aos Estados Unidos, onde seu mandato no Senado se encerra em janeiro de 2027.
A situação de Jair Bolsonaro também poderá sofrer mudanças significativas no próximo ano. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe e agora enfrenta um pedido do Ministério Público Militar para perder sua patente de capitão reformado do Exército.
Esse pedido, apresentado em fevereiro, ainda está em análise pelo Superior Tribunal Militar (STM), que deve concluir os julgamentos em 2027.
A análise do STM não revisará as condenações criminais, mas decidirá sobre a permanência de Bolsonaro no posto e na patente que ocupa nas Forças Armadas. Se considerado indigno, ele poderá perder a patente militar, o que traria consequências administrativas e financeiras.
Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde 2025, também enfrenta problemas judiciais. Em junho, foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, relacionado à sua tentativa de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro através de sanções americanas.
O Ministério Público Federal alegou que Eduardo ameaçou autoridades judiciárias brasileiras com sanções para tentar influenciar o processo judicial. Em outubro, foi emitido um mandado de prisão contra ele, que permanece em território americano.
A existência de um mandado de prisão no Brasil não implica automaticamente em prisão nos Estados Unidos, uma vez que a cooperação internacional depende de procedimentos específicos e da análise das autoridades americanas.
As eleições legislativas americanas de 3 de novembro adicionaram uma nova variável à situação da família Bolsonaro. A vitória democrata e a consequente perda de controle republicano no Congresso podem resultar em maior fiscalização sobre o governo Trump, que historicamente apoiou Jair Bolsonaro.
A nova composição do Congresso poderá exigir explicações sobre decisões do Executivo americano, incluindo autorizações migratórias concedidas a membros da família Bolsonaro. Contudo, isso não significa que Trump tenha retirado seu apoio pessoal aos brasileiros.
A situação de Flávio e Eduardo depende das regras migratórias americanas e de possíveis procedimentos judiciais