Descarte adequado de embalagens de defensivos agrícolas promove sustentabilidade no setor rural
Iniciativa promove descarte sustentável de embalagens de defensivos agrícolas.
A sustentabilidade na agricultura envolve não apenas o cultivo responsável, mas também o manejo adequado das embalagens de defensivos utilizados. O descarte correto dessas embalagens é uma etapa crucial que deve ser realizada após a aplicação dos produtos químicos.
A logística reversa, prevista em legislação desde 2002, é essencial para prevenir a contaminação do solo e da água, além de proteger a saúde de trabalhadores e animais. Essa prática contribui para uma cadeia produtiva mais consciente e responsável.
O processo de descarte começa antes da aplicação dos defensivos. Em uma usina localizada em Novo Horizonte (SP), um sistema automatizado chamado “Smart Calda” é utilizado para calcular a quantidade exata de defensivo necessária para cada área da propriedade, reduzindo desperdícios e aumentando a segurança na aplicação.
Todo o planejamento é realizado antes da pulverização, gerando uma ordem de serviço que contém informações detalhadas sobre o produto, a dose por hectare, e o talhão a ser tratado. Essa abordagem garante que cada parte da lavoura receba a quantidade adequada de defensivo.
Após a aplicação, as embalagens passam por um processo de tríplice lavagem, que remove quase todos os resíduos do produto. Em seguida, são perfuradas para evitar reutilização e armazenadas até serem enviadas para uma central de recebimento.
Na usina mencionada, cerca de 2.500 embalagens são preparadas mensalmente para descarte correto. Caminhões identificados realizam o transporte semanalmente até a central em Catanduva (SP), onde todo o processo é rigorosamente documentado para garantir a rastreabilidade das embalagens.
Um especialista ambiental destaca que existe um controle rigoroso desde a compra do defensivo até o descarte final das embalagens, assegurando que todas as etapas sejam realizadas de forma adequada.
Responsabilidade compartilhada
A destinação correta das embalagens é parte do Sistema Campo Limpo, um programa nacional que estabelece responsabilidades para todos os envolvidos na cadeia produtiva. O produtor deve devolver as embalagens, enquanto as revendas informam os locais de entrega. O poder público fiscaliza o processo, e os fabricantes financiam a operação.
Após chegarem às centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), as embalagens passam por triagem. Os materiais recicláveis são enviados para empresas parceiras, enquanto os que não podem ser reaproveitados são destinados à incineração ambientalmente correta.
Atualmente, a reciclagem abrange a maior parte das embalagens recebidas, com cerca de 93% do material sendo papelão e plástico, que são transformados novamente em embalagens. O sistema já é uma prática comum entre muitos produtores rurais, que, ao final de cada safra, organizam as embalagens para devolução, mesmo arcando com os custos de transporte.
Para esses produtores, o investimento em práticas sustentáveis é essencial para fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro. A consciência ambiental é um dos pilares do setor, e a adoção de processos corretos garante a evolução sustentável da agricultura.
Aqueles que não realizam o descarte adequado das embalagens podem enfrentar multas que variam de R$ 384 a R$ 96 mil, além de outras sanções previstas em lei. Os produtores têm a opção de devolver as embalagens em diversas centrais de recebimento, com agendamento disponível pelo Sistema Campo Limpo.
