Descoberta na Ásia desafia crença sobre as múmias mais antigas do mundo, que eram atribuídas ao Peru há 7 mil anos

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Múmias: Uma Prática Antiga que Transcende Continentes

Quando pensamos em múmias e tumbas antigas, é comum associar essa prática ao Egito, famoso por suas pirâmides e histórias de faraós. No entanto, novas evidências indicam que a mumificação já era realizada em outros locais muito antes do surgimento das grandes civilizações egípcias.

Estudos recentes revelam que a mumificação não se restringe apenas ao Egito. Na verdade, comunidades de caçadores-coletores no sul da China e no Sudeste Asiático já praticavam a preservação de seus mortos utilizando fumaça há cerca de 12 mil anos, muito antes das técnicas conhecidas do Egito.

Restos mortais encontrados em diversas regiões, como Vietnã, Filipinas e Tailândia, mostram que esses grupos enterravam seus mortos em posições flexionadas, apresentando marcas de calor nos ossos. Essa descoberta altera a compreensão histórica sobre a origem da mumificação, que antes era atribuída a culturas da América do Sul, como os Chinchorro, que mumificavam seus mortos há aproximadamente 7 mil anos.

Pesquisadores analisaram 54 sepultamentos datados entre 4 mil e 12 mil anos e, ao contrário da hipótese inicial de cremação, encontraram sinais de exposição prolongada à fumaça e calor em ambientes com pouco oxigênio. Técnicas avançadas, como a difração de raios X, foram empregadas para identificar essas evidências.

Os corpos parecem ter sido amarrados para desidratar lentamente antes do sepultamento, e a posição flexionada, aliada à fumaça, teria contribuído para a preservação dos restos mortais. Embora apenas os esqueletos tenham sobrevivido, as condições ambientais do Sudeste Asiático podem ter influenciado essa preservação.

Motivos por trás da mumificação

O coautor do estudo, Peter Bellwood, sugere que a mumificação pode estar relacionada à mobilidade dos caçadores-coletores e à necessidade de manter laços com os mortos. Além disso, há indícios de que um componente espiritual significativo poderia estar por trás dessa prática.

Curiosamente, essa tradição de mumificação não desapareceu completamente. Comunidades na Nova Guiné ainda utilizam técnicas semelhantes, como observado em 2019, quando pesquisadores documentaram o processo de amarrar e defumar corpos entre o povo Dani, na Papua, que se assemelha às práticas antigas encontradas nos vestígios arqueológicos.

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