Desempenho em pesquisas permite a Flávio Bolsonaro definir equipe econômica
Flávio Bolsonaro adia nomeação de assessores econômicos devido ao bom desempenho nas pesquisas.
O bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República permitiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adiasse a nomeação de seus principais assessores econômicos, conforme informações de auxiliares. Isso ocorre mesmo com outros concorrentes de direita se preparando para a eleição de outubro.
Desde que anunciou sua candidatura no ano passado, o senador tem dedicado a maior parte do tempo a viagens internacionais, buscando se encontrar com aliados conservadores e visitando seu pai, que está cumprindo pena em Brasília por tentativa de golpe de Estado.
Apesar da movimentação reduzida, Flávio Bolsonaro, de 44 anos, já se encontra empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas que simulam um possível segundo turno entre os dois. Enquanto isso, Lula enfrenta um cenário econômico desafiador, com ameaças inflacionárias e repercussões de escândalos que impactam Brasília.
Fontes próximas ao senador afirmam que a vantagem obtida ao sinalizar uma plataforma alinhada com a abordagem de seu pai pode proporcionar a Flávio um poder de barganha significativo para a escolha de assessores e a formulação de propostas que visem consolidar uma coalizão forte.
Se essa tendência se mantiver, o anúncio da equipe econômica, que estava previsto para maio, pode ser adiado ainda mais, segundo uma das fontes. Recentemente, um assessor indicou que Flávio poderia apresentar seu programa econômico até fevereiro.
Essa situação contrasta fortemente com a campanha de 2018, quando Jair Bolsonaro, então deputado federal, escolheu Paulo Guedes como seu guru econômico quase um ano antes da eleição, a fim de tranquilizar investidores preocupados com a condução da política econômica.
A abordagem mais cautelosa de Flávio enfrentará novos desafios com a entrada de outros candidatos de direita. O PSD anunciou recentemente Ronaldo Caiado, governador de Goiás, enquanto Romeu Zema, governador de Minas Gerais, está concorrendo pelo partido Novo.
O cientista político Carlos Melo, do Insper, em São Paulo, comentou que a disputa no campo conservador será turbulenta, mas observou que os governadores têm poucas chances de superar Flávio.
Na última segunda-feira, Caiado fez um apelo direto aos apoiadores de Jair Bolsonaro, prometendo uma ampla anistia aos condenados por atos relacionados ao plano de golpe de Estado em 2023, incluindo o ex-presidente, que atualmente cumpre sua pena em casa devido a problemas de saúde.
Zema, por sua vez, afirmou que usará seu histórico na administração pública em Minas Gerais e sua ficha limpa em um país marcado por escândalos de corrupção para se apresentar como uma alternativa à direita, minimizando as dificuldades que enfrenta nas primeiras pesquisas. “Todas as campanhas políticas são imprevisíveis”, declarou.
Flávio Bolsonaro, que foi deputado estadual do Rio de Janeiro antes de sua candidatura ao Senado, tem oferecido poucos detalhes sobre suas propostas econômicas, mas promete cortes de impostos e gastos, além de melhorias no ambiente de negócios.
Seus assessores indicam que o impulso nas pesquisas pode atrair mais interesse de potenciais membros de sua equipe.
Fontes próximas ao senador revelaram que contatos informais foram feitos com possíveis assessores, incluindo o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida, atualmente no BTG Pactual, e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que agora é vice-presidente do conselho do banco digital Nubank.
Ambos já trabalharam no governo Bolsonaro. Em uma conferência em Boston, Mansueto afirmou que permanece no setor privado e não foi contatado por nenhum candidato. Campos Neto não se manifestou sobre o assunto.
