Desmatamento no Brasil prejudica competitividade de agricultores dos Estados Unidos, afirma representante comercial
Representante Comercial dos EUA critica desmatamento no Brasil e suas implicações comerciais
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, expressou preocupações sobre as práticas de desmatamento no Brasil, que, segundo ele, prejudicam a competitividade dos agricultores americanos.
Durante uma audiência no Comitê de Finanças do Senado americano, Greer destacou que “padrões ambientais mais baixos em outros países justificam tarifas mais altas”. Ele também mencionou que os EUA estão empenhados em manter e expandir o acesso ao mercado agrícola em países como México e Canadá.
O desmatamento ilegal é um dos principais argumentos utilizados pelo governo americano para justificar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida foi anunciada após uma investigação concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos.
Entre as práticas identificadas pela investigação americana, está a oferta de produtos como madeira e carne a preços mais competitivos, uma vez que são produzidos em áreas associadas a crimes ambientais.
Embora os dados citados por Greer sejam reais, é importante notar que existem números mais recentes que indicam uma queda nos índices de desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou a menor taxa de desmatamento na Amazônia em mais de uma década.
Ministro rebate acusações dos EUA
<pO ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, contestou as alegações feitas pelos Estados Unidos, afirmando que os argumentos utilizados para justificar o tarifaço são "absolutamente improcedentes".
“Os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas são absolutamente improcedentes, não têm nenhum fundamento técnico, não estão baseados em nenhuma informação comprovável”, afirmou Capobianco.
O ministro ressaltou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um rigoroso sistema de fiscalização. Ele reforçou que as informações usadas pelo governo americano são “absolutamente inverídicas”.
Capobianco explicou que o sistema de exportação de madeira no Brasil é um dos mais rigorosos do mundo, com acompanhamento desde a origem na floresta até o embarque. Técnicos do Ibama e da Receita Federal monitoram as cargas, tornando impossível a exportação sem a devida verificação.
Tarifaço de 25% passa a valer nesta quarta-feira
A nova tarifa, que entra em vigor nesta quarta-feira, foi amplamente contestada pelo governo brasileiro, que a considera uma tentativa de interferência em assuntos internos. A avaliação em Brasília é de que a medida tem motivações políticas.
A tarifa exclui uma lista extensa de produtos, como petróleo, café e carne bovina, mas afetará setores como etanol, máquinas agrícolas e papel.
