Dia do Chocolate destaca a história do fruto e sua relevância na cultura global
Chocolate é celebrado mundialmente no dia 07 de julho, destacando sua rica história e importância econômica.
Um dos alimentos mais populares e apreciados globalmente, o chocolate é comemorado em todos os cantos do mundo no dia 07 de julho. Esta data marca a chegada do chocolate à Europa em 1550, onde rapidamente se tornou um dos doces mais adorados. No entanto, a jornada do chocolate até sua forma atual e sabor característico começou há milênios, desde suas origens até os avanços da industrialização.
O cacau, fruto que dá origem ao chocolate, tem sua história datada em mais de 4.000 anos nas civilizações da América. Somente no século XVI, durante a colonização, a semente, que era considerada sagrada pelos maias e astecas, chegou ao velho continente e passou a ser consumida pela elite europeia.
A transformação do chocolate em barra, com sabor adoçado e ao leite, ocorreu durante a Revolução Industrial no século XIX. Na Segunda Guerra Mundial, o chocolate se tornou um produto global, ampliando seu mercado e presença internacional.
Com o fortalecimento do capitalismo e inovações tecnológicas, o chocolate deixou de ser um artigo de luxo para a nobreza, tornando-se um produto acessível a todos. O Brasil, com seu solo propício, emergiu nos séculos XX e XXI como um dos principais produtores e exportadores de cacau, com destaque para a Bahia.
No auge de sua produção, o Brasil alcançou volumes superiores a 450 mil toneladas, embora este crescimento tenha sido interrompido pela vassoura-de-bruxa na década de 80. Desde então, o país não recuperou a liderança no cultivo, ocupando atualmente a sexta posição no ranking mundial, com cerca de 250 mil toneladas de amêndoas produzidas anualmente.
Protagonismo dividido
Hoje, a Bahia compartilha a liderança na produção de cacau com o Pará, que emergiu como o maior produtor nacional. Contudo, o Brasil se reinventou, aprimorando a transformação de sua amêndoa em chocolates premium e de origem.
O foco do setor evoluiu, priorizando a qualidade em vez do volume, o que elevou o reconhecimento do cacau e do chocolate brasileiros em mercados internacionais.
Nesse contexto, destaca-se Marco Lessa, empresário e idealizador do Chocolat Festival e Origem Week, eventos que promovem a produção brasileira na Europa e valorizam o cacau nacional.
Desde seu primeiro contato com o cacau, quando produziu uma telenovela ambientada nas fazendas de cacau da Bahia, Lessa tem acompanhado as transformações no setor, incluindo os desafios enfrentados pela cacauicultura, como crises de colheita e mudanças nos padrões de consumo.
“Uma roça de cacau é seis vezes mais rentável do que a de gado. Não precisa desmatar para plantar cacau. Somos um dos países que mais consome chocolate no mundo, portanto, se considerarmos que estamos falando de uma cultura que cuida do meio ambiente e de um produto que é saudável, o cacau será o alimento do futuro”, disse Lessa.
Produção respeitada
A qualidade do cacau cultivado no Brasil já é reconhecida por órgãos e prêmios internacionais, com a Organização Internacional do Cacau (ICCO) classificando o país como exportador de 100% de cacau fino e de aroma.
Esse reconhecimento se reflete nas exportações brasileiras, que alcançaram US$ 1 bilhão em chocolate, cacau e derivados entre 2021 e 2025.
Legislações recentes, como a sancionada pelo presidente Lula, reforçam essa qualidade, estabelecendo percentuais mínimos de cacau nos produtos. Agora, chocolates devem conter pelo menos 35% de sólidos totais de cacau, enquanto os ao leite exigem 25%, eliminando termos que obscurecem a verdadeira composição dos produtos.
“Até 2009, nenhuma embalagem de chocolate no Brasil destacava o nome, percentual ou representação do cacau. Hoje, graças ao movimento Prô-Cacau, conseguimos mudar esse cenário”, afirmou Marco Lessa.
