Dino autoriza nova investigação da PF sobre Lulinha e determina apuração de vazamentos
Ministro Flávio Dino autoriza novas investigações sobre Lulinha e vazamentos de informações.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a Polícia Federal a abrir um terceiro inquérito relacionado a suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e seus aliados. Além disso, uma quarta investigação será conduzida para apurar o vazamento de informações sigilosas referentes aos inquéritos.
Dino, que foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficou responsável por relatar esses novos processos após a Polícia Federal apresentar requerimentos que não indicavam uma conexão direta com o ministro André Mendonça, que estava à frente da operação sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os detalhes sobre a investigação dos vazamentos não foram divulgados, e o processo tramitará em sigilo. A defesa de Lulinha já havia solicitado ao Ministério da Justiça e à corregedoria da Polícia Federal uma investigação sobre o suposto vazamento de conversas do filho do presidente. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, elogiou a decisão de Dino em instaurar investigações para apurar os vazamentos.
A abertura desses inquéritos intensificou as tensões entre Mendonça e a Polícia Federal. O ministro havia solicitado informações sobre as provas coletadas no caso do INSS e expressou a necessidade de ser informado sobre mudanças na equipe de investigação. A desconfiança surgiu após a PF alterar o setor responsável pelo inquérito, resultando na saída do delegado que coordenava o caso e que havia solicitado quebras de sigilo de Lulinha.
Os dois primeiros pedidos de inquérito foram encaminhados novamente a André Mendonça por sorteio. O primeiro investiga suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto, enquanto o segundo, revelado por um veículo de comunicação, investiga negócios envolvendo a Dataprev, uma empresa de tecnologia do governo federal.
A terceira investigação tem como foco as ações de aliados de Lulinha em outros órgãos do governo. Embora as representações da Polícia Federal não tenham solicitado explicitamente a mudança de relatoria, abriram possibilidades para que o presidente em exercício da Corte, Alexandre de Moraes, redistribuísse os inquéritos.
No primeiro pedido de inquérito, a Polícia Federal solicitou um prazo de 60 dias para realizar diligências e compartilhar provas relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga a empresária Roberta Luchsinger, próxima de Lulinha. Mendonça já autorizou a abertura dessa investigação.
Conforme informações, Roberta Luchsinger fez mais de 40 visitas a órgãos do governo federal sem registro nas agendas oficiais entre 2023 e 2025, incluindo encontros com o então ministro da Secretaria das Relações Institucionais e diversas entradas no Ministério da Saúde.
A Polícia Federal traçou um panorama de provas colhidas na investigação sobre desvios no INSS, que apontam para suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a empresária. A PF enfatizou que os fatos apurados não estão diretamente relacionados aos desvios do INSS.
A solicitação de novos inquéritos não incluiu um pedido explícito para redistribuição a outro relator. A PF indicou um inquérito da Operação Sem Desconto como referência, o que poderia resultar em uma distribuição automática para André Mendonça. No entanto, a falta de uma vinculação direta permitiu que o caso fosse retirado de sua relatoria.
Os pedidos foram encaminhados à Presidência do STF, que estava sob a responsabilidade interina de Alexandre de Moraes durante o recesso. Antes de repassar os documentos para Mendonça, Moraes enviou o material à Procuradoria-Geral da República para que opinasse sobre a relatoria.
A equipe da PGR analisou os documentos e sugeriu que o inquérito fosse distribuído livremente, sem conexão com Mendonça. Moraes seguiu essa recomendação, mas, por meio de um novo sorteio, Mendonça foi novamente designado como relator. Ele só tomou conhecimento do caso na noite de quarta-feira, 29, quando o pedido de inquérito chegou ao seu gabinete.