Dino libera acesso da PF a provas da Polícia Civil de SP sobre produtora do filme Dark Horse

Compartilhe essa Informação

Ministro do STF autoriza acesso da PF a provas sobre produtora de filme que retrata Bolsonaro.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar as provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo relacionadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Esse material será fundamental para a investigação da PF sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora, que está sob a relatoria de Dino. A operação da Polícia Civil ocorreu em junho, em endereços vinculados à produtora e em uma secretaria da prefeitura de São Paulo, como parte de um inquérito que investiga possíveis irregularidades e desvios em um contrato municipal.

A suspeita é de que os recursos, provenientes de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, tenham sido desviados. O contrato tinha como objetivo fornecer wi-fi gratuito a comunidades carentes.

Karina, procurada para comentar, não respondeu às mensagens enviadas. A PF solicitou que todas as informações obtidas durante a operação fossem utilizadas na investigação sobre as emendas parlamentares destinadas ao filme, e Dino autorizou esse compartilhamento.

O longa-metragem se tornou um ponto de controvérsia na candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, especialmente após a divulgação de áudios em que ele solicita R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para finalizar a produção.

As emendas sob investigação são atribuídas a deputados do PL, como Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Frias é mencionado como um possível intermediário de Flávio nas negociações com Vorcaro.

O deputado Frias nega que os repasses estejam relacionados ao filme, afirmando que a verba era destinada a “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”, garantindo que “não há um único centavo” de Vorcaro no longa.

A assessoria de Pollon informou que sua emenda de R$ 1 milhão foi redirecionada para uma instituição oncológica, sem destinação de recursos para qualquer finalidade diferente da apresentada nos projetos. Kicis também defendeu sua emenda de R$ 150 mil, afirmando que ela se relaciona a um projeto cultural e educativo, voltado à valorização da história nacional.

Os repasses de Vorcaro para o filme e as tratativas com Flávio fazem parte de uma investigação separada, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que autorizou o inquérito após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Na semana passada, Flávio declarou que o caso “Dark Horse” é uma “página virada” em sua campanha e afirmou que a prestação de contas do filme já foi divulgada, garantindo que “estava tudo certinho”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *