Direita e centro-direita obtêm 97,3% dos votos nas eleições húngaras
Esquerda fica sem representação no Parlamento húngaro após eleições de 2026.
As eleições parlamentares na Hungria, realizadas em 12 de abril de 2026, mostraram um cenário de domínio das forças de direita e centro-direita, que conquistaram 97,32% dos votos com 98,93% das urnas apuradas. O partido Tisza, de centro-direita, obteve uma vitória significativa, superando o governista Fidesz e encerrando um ciclo de 16 anos de liderança de Viktor Orbán.
O partido Tisza, sob a liderança de Péter Magyar, alcançou 53,06% dos votos, enquanto o Fidesz, de Orbán, ficou com 38,43%. O Mi Hazánk, também de direita, registrou 5,83%, deixando apenas 1,98% dos votos para a esquerda, que não conquistou representação no novo Parlamento.
A nova face do Parlamento
O sistema eleitoral da Hungria, que combina votos distritais e listas partidárias para preencher 199 cadeiras, resultou em uma significativa mudança na Assembleia Nacional:
- Tisza: aumentou sua representação de zero para 138 cadeiras, garantindo a maioria necessária para implementar reformas constitucionais;
- Fidesz–KDNP: sofreu uma queda drástica, reduzindo sua bancada de 135 para apenas 55 cadeiras, uma perda de 80 cadeiras;
- Mi Hazánk: manteve sua presença com 6 cadeiras.
Essa nova configuração altera radicalmente o panorama político em relação a 2022, quando o bloco governista Fidesz–KDNP dominava com 135 cadeiras e cerca de 54% dos votos. Naquele ano, Orbán foi reeleito para seu quarto mandato consecutivo, consolidando uma supermaioria legislativa.
A derrota de Viktor Orbán
O resultado das urnas representa a maior derrota política de Viktor Orbán desde seu retorno ao poder em 2010. Reconhecendo o revés, ele descreveu o resultado como “claro” e “doloroso”, e fez uma ligação para seu ex-aliado Magyar, parabenizando-o pela vitória.
A queda do Fidesz é atribuída a um desgaste econômico, com a Hungria enfrentando estagnação e inflação que impactaram negativamente o poder de compra da população. Magyar celebrou a vitória histórica e recebeu congratulações de líderes da União Europeia e da Otan, sugerindo uma possível reaproximação com os aliados ocidentais, com ênfase em “segurança europeia” e soberania do continente.
Orbán afirmou que não contestará os resultados e que seu partido passará a atuar na oposição. A eleição teve uma participação recorde de 78% dos eleitores, a maior já registrada no país.
