Disputa entre argentinos e texanos sobre quem faz a melhor carne é reacendida durante a Copa

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Disputa entre Argentina e Texas pela melhor carne bovina se intensifica durante a Copa do Mundo.

Milhares de torcedores argentinos desembarcaram no Texas para a Copa do Mundo, trazendo à tona uma antiga rivalidade. A discussão não gira em torno de quem possui a melhor seleção ou se Lionel Messi é o melhor jogador, mas sim sobre quem produz a melhor carne e a forma correta de prepará-la.

Essa disputa envolve duas das maiores regiões produtoras de gado do mundo, onde o bife é parte fundamental da cultura e da alimentação local.

O Texas é o líder na produção de carne bovina nos Estados Unidos, que ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas do Brasil. A Argentina, por sua vez, está na sexta posição.

Mas, afinal, quem realmente faz a melhor carne?

O argumento a favor da carne argentina

A carne argentina é frequentemente considerada imbatível, segundo Carlos Eduardo Barahona, um chef argentino que reside no Texas. Ele destaca a textura e os cortes da carne como diferenciais que a tornam superior.

Barahona, com experiência em restaurantes na Argentina, Uruguai e Texas, afirma que mesmo os cortes mais baratos da Argentina proporcionam uma experiência gastronômica única.

“Você pode fazer um asado argentino com o corte mais barato do país e ainda assim vai apreciar a carne. Aqui, você pode usar o melhor corte, como filé-mignon, e, dependendo da origem, ele pode ficar duro, incomível ou macio. A nossa carne, porém, tem um perfil de sabor completamente diferente”, disse.

A maior parte da carne bovina argentina provém de gado criado a pasto, em campos abertos, o que resulta em uma carne mais magra e com um sabor intenso e terroso.

O argumento a favor da carne texana

No Texas, a alimentação do gado é predominantemente à base de grãos, o que confere à carne um maior marmoreio — as camadas de gordura entremeadas nas fibras musculares — e um sabor mais adocicado.

“Não existe carne melhor do que a americana, especialmente a do Texas”, afirmou o comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller.

Apesar de reconhecer a qualidade da carne argentina, Miller também menciona que o Texas tem contribuído para a melhoria da produção na Argentina, estabelecendo conexões entre pecuaristas dos dois locais.

O veredito de quem come carne

Gonzalo Herrera, um torcedor argentino, visitou um supermercado no Texas após assistir a uma vitória da Argentina. Ele acredita que a discussão sobre qual carne é melhor não faz muito sentido.

“Para ser sincero, não vejo uma diferença tão grande”, disse Herrera enquanto colocava quatro bifes T-bone no carrinho de compras.

Ele ressalta que o segredo está em saber quais cortes escolher e encontrar equivalentes ao que é consumido na Argentina, embora tenha notado que os preços são mais altos nos EUA.

A discussão sobre carne também envolve receitas e preferências em relação ao estilo e espessura dos cortes. No final, trata-se de gosto pessoal em relação a temperos, métodos de preparo e acompanhamentos.

Na churrascaria argentina Corrientes 348, em Dallas, os bifes são preparados apenas com sal e carvão de madeira de mesquite. O gerente assistente, Emmanuel Tobon, observa que os texanos tendem a usar mais temperos e molhos, enquanto os argentinos preferem destacar o sabor natural da carne.

Os torcedores argentinos continuam a frequentar o restaurante em busca de um gostinho de casa durante a Copa do Mundo, aproveitando a cultura local enquanto mantêm suas tradições culinárias.

Fernando Garcia Morillo, um argentino que vive perto de Miami, também aprecia a carne dos dois países, mas sente falta das tradições argentinas ao pedir um bife nos EUA.

“Talvez exista a rivalidade de sempre com o Brasil, nosso vizinho”, disse. “Eu adoro a carne dos EUA.”

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