Doações de mantimentos mexicanos para vítimas de terremotos na Venezuela não chegam ao destino, revelam rastreadores ocultos
Doações destinadas a vítimas de terremotos na Venezuela nunca chegaram ao seu destino.
Integrantes de um canal de YouTube realizaram um experimento ao colocar rastreadores em mantimentos doados a centros de arrecadação para as vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela em junho. Após quase duas semanas, os sinais dos dispositivos mostraram que a ajuda não deixou o México, sendo redirecionada para locais como a Central de Abasto da Cidade do México e residências particulares.
Os pacotes de doações foram entregues em vários pontos, incluindo o centro de arrecadação do Estádio Olímpico Universitário e a prefeitura de Tlalpan. Infelizmente, este incidente ilustra um padrão preocupante, onde a generosidade das pessoas é frequentemente desviada de seu propósito original.
O experimento foi conduzido por José Manuel Grajales e sua esposa, que esconderam rastreadores Samsung Galaxy Smart Tag 2 em caixas de cereal dentro de mantimentos adquiridos em um supermercado. Eles levaram as doações aos centros de arrecadação, onde um responsável afirmou que a distribuição era feita em coordenação com a Embaixada da Venezuela.
De acordo com a explicação fornecida, os produtos seriam enviados ao Campo Militar Número 1 antes de serem transportados por navio ao país sul-americano. Embora o transporte fosse dito demorar alguns dias, não houve informações precisas sobre o tempo necessário. O canal não apresentou entrevistas com outros funcionários dos centros de arrecadação envolvidos.
A primeira caixa a emitir sinais foi a do Estádio Olímpico. Apesar da expectativa de que os mantimentos fossem enviados ao Campo Militar, o sinal levou a equipe a um depósito na Central de Abasto, onde a caixa permanecia armazenada quase duas semanas após a entrega.
A caixa deixada na prefeitura de Tlalpan emitiu sinais a partir de uma residência na Cidade do México, enquanto a da Cidade Judicial foi rastreada por vários pontos da capital até uma concessionária de veículos. Por outro lado, a do estabelecimento pertencente a venezuelanos nunca deixou o local.
Apenas 30% das doações chegam ao destino
Durante a investigação, um ex-funcionário de um centro de arrecadação revelou que, após o recebimento das doações, os itens mais valiosos eram separados e revendidos. Apenas cerca de 30% das doações chegavam ao destino final, levantando sérias questões sobre a gestão das doações feitas de boa-fé no país.
Outro caso que evidenciou a má administração das doações no México foi o da jornalista que utilizou AirTags em produtos doados para vítimas de terremotos na Turquia. Um dos itens foi encontrado em um mercado, enquanto outro foi desviado para um evento político em uma escola.
Além disso, criadores de conteúdo relataram que mantimentos doados para as vítimas do furacão Otis em um supermercado na Cidade do México permaneceram nos depósitos por quase seis meses, com a gestão do local afirmando que o governo havia parado de fornecer apoio para novos envios após dezembro.
