Documentos falsos e inteligência artificial: a colaboração entre KYC, biometria facial e análise de dispositivos
A tecnologia é fundamental para garantir a segurança digital nas transações online.
A tecnologia é uma aliada na identificação de riscos e na construção de jornadas digitais mais seguras, proporcionando praticidade tanto para empresas quanto para usuários.
Realizar operações pela internet, como abrir uma conta ou contratar um serviço, exige que as empresas verifiquem se as informações apresentadas correspondem à identidade da pessoa que está do outro lado da tela. Embora documentos de identidade sejam uma fonte importante de informação, eles não são suficientes por si só para confirmar uma identidade de maneira confiável.
Com a evolução das ferramentas digitais, documentos podem ser facilmente alterados ou usados de maneira indevida por pessoas que tentam se passar por outras. A inteligência artificial também tem sido utilizada para criar documentos falsos que parecem autênticos, tornando essencial a análise de múltiplos sinais em conjunto, em vez de depender de uma única evidência para validações de identidade.
Dessa forma, é crucial distinguir entre três processos: assinatura eletrônica, verificação documental e verificação de identidade. A assinatura eletrônica registra a concordância com um documento; a verificação documental avalia se o documento apresentado é consistente e autêntico; enquanto a verificação de identidade confirma se a pessoa é realmente quem afirma ser. Embora as duas últimas etapas estejam inter-relacionadas, elas não são equivalentes.
Como a tecnologia ajuda a analisar documentos
Soluções de verificação documental utilizam a leitura automatizada de informações, análise de elementos visuais e checagens de consistência para identificar dados divergentes ou sinais que requerem uma avaliação mais profunda. Técnicas de inteligência artificial podem processar informações e reconhecer padrões, mas a eficácia dessas soluções depende da qualidade dos dados, dos critérios de análise e dos controles adotados.
A avaliação deve levar em conta os limites do processo. Documentos danificados, imagens de baixa qualidade ou tipos documentais que não são suportados pela solução podem impedir uma conclusão confiável. Ao comparar fornecedores, é importante que as empresas perguntem quais documentos são aceitos, como são tratados os casos inconclusivos e quais indicadores de desempenho podem ser apresentados.
É essencial não confundir a identificação de uma inconsistência com a comprovação automática de fraude. Um alerta pode simplesmente indicar a necessidade de uma nova verificação, sem necessariamente indicar uma tentativa fraudulenta.
Por que o documento não é suficiente
Mesmo que um documento pareça consistente, é necessário avaliar se ele realmente pertence à pessoa que está realizando o cadastro ou operação. A biometria facial pode comparar características do rosto com uma referência, enquanto a prova de vida, ou liveness, verifica se a interação está sendo feita por uma pessoa presente, e não apenas por uma fotografia ou uma reprodução diante da câmera.
Essas verificações têm suas limitações e devem ser avaliadas conforme o contexto de uso. A combinação de validação documental, biometria e prova de vida amplia as informações disponíveis para a decisão, sem que uma tecnologia isolada seja considerada como garantia absoluta contra fraudes.
O golpe do sósia ilustra como a biometria pode ser desafiada. Neste tipo de fraude, o criminoso utiliza ferramentas que comparam seu próprio rosto com imagens de terceiros para encontrar alguém com aparência semelhante e usar a identidade dessa pessoa em uma validação biométrica. Estudos indicam que a similaridade facial pode chegar a 99%, reforçando a importância de verificações complementares.
O dispositivo também oferece sinais
Informações relacionadas ao dispositivo e ao contexto do acesso podem complementar a análise. Características do aparelho, histórico de uso e outros sinais técnicos ajudam a identificar diferenças em relação ao padrão esperado. Um acesso em condições incomuns pode justificar uma checagem adicional, dependendo da operação e de outros fatores avaliados.
Esses sinais devem ser interpretados em conjunto. Por exemplo, trocar de aparelho não significa necessariamente que existe fraude; o contexto pode indicar que é necessário confirmar mais informações antes de autorizar uma ação específica.
KYC: conhecer o cliente além do cadastro
KYC, ou Know Your Customer, é um processo que reúne procedimentos para verificar informações de identificação e cadastro, de acordo com as necessidades e obrigações de cada negócio. Em uma jornada digital, dados cadastrais, documentos, biometria e sinais do dispositivo podem contribuir para formar uma visão mais completa da identidade do cliente.
A integração entre essas etapas é um ponto importante. Por meio de APIs, que permitem a comunicação entre sistemas, as empresas podem conectar serviços de verificação aos seus próprios fluxos digitais.