Domingo Clássico da Petrobras tem início com apresentação da Orquestra da ULBRA
A Orquestra de Câmara da ULBRA celebra 30 anos de atividade contínua com a abertura da temporada 2026.
A temporada 2026 do Domingo Clássico Petrobras conta com nove concertos ao longo do ano, programados para os domingos, apresentando um repertório que mescla clássicos da tradição europeia e composições brasileiras.
A abertura da temporada, realizada no último domingo em Porto Alegre, destaca a importância da Orquestra de Câmara da ULBRA, que se mantém como um dos poucos casos de permanência cultural no Brasil ao longo de três décadas. Essa continuidade é sustentada por uma combinação de apoio universitário, patrocínio privado e políticas públicas de incentivo à cultura.
Em um cenário onde muitos projetos culturais enfrentam descontinuidade, a longevidade da série de concertos se destaca como uma exceção. O maestro Tiago Flores enfatiza a relevância do projeto, que ao longo de 24 anos se consolidou na cena cultural gaúcha.
Essa constância vai além da administração; ela é também pedagógica. O projeto criou um público fiel, algo raro na música clássica brasileira. Flores ressalta a importância dessa relação com os espectadores, que se tornam habituais nos concertos.
Com um repertório que inclui obras de compositores como Mozart, Bach, Grieg e Camargo Guarnieri, a temporada busca equilibrar a música universal com a identidade brasileira, promovendo uma experiência musical rica e diversificada.
O maestro define a essência do projeto como a formação de escuta, onde o objetivo é fazer com que o público retorne mês após mês, desejando mais. Assim, a orquestra não é apenas uma plataforma de performances, mas um agente de educação musical contínua.
Criada em 1996, a Orquestra de Câmara da ULBRA se tornou uma das mais estáveis do Brasil no segmento de música de concerto, realizando cerca de 30 apresentações anualmente e alcançando um público estimado em 20 mil pessoas por temporada. Esta estabilidade depende de um modelo institucional específico.
O Domingo Clássico Petrobras é financiado pela Lei Rouanet, com suporte da Petrobras e da ULBRA. Esse mecanismo permite que parte dos impostos de empresas e indivíduos seja destinada a projetos culturais, transformando a tributação em investimento cultural de longo prazo.
A importância dessa estrutura é enfatizada por Flores, que argumenta que a cultura deve ser construída com continuidade, não apenas com eventos isolados. Essa perspectiva aborda um dos principais desafios do setor cultural no país, que é a dificuldade de estabelecer políticas culturais consistentes.
A orquestra também se adapta às necessidades do repertório, variando entre formações menores com 18 músicos e grupos maiores com até 30 integrantes. Essa flexibilidade é essencial para atender às diferentes obras que compõem sua programação.
Mais do que um simples ciclo de concertos, o Domingo Clássico se estabelece como um sistema de formação de público, promovendo a cultura em uma escala regional. Seu valor está na criação de um hábito cultural contínuo, algo que ainda é raro em um país onde a música erudita é geralmente consumida de forma episódica.
Ao completar três décadas, a Orquestra da ULBRA se transforma de um grupo artístico em uma instituição cultural estável, capaz de manter repertório, público e continuidade. A abertura da temporada é, portanto, uma celebração de um modelo cultural bem-sucedido.
No final, o Domingo Clássico Petrobras ilustra uma ideia central: a cultura não é um evento, mas um esforço contínuo construído ao longo do tempo.