Doutrina Monroe: O Poder dos EUA sobre o Destino das Américas
Relatório destaca doutrina de Trump como uma ameaça para a América Latina em 2026.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um vídeo que afirma que a influência americana na América Latina “nunca mais será questionada”. A publicação revisita a história da Doutrina Monroe, uma estratégia que permitiu aos EUA exercerem influência sobre o continente ao longo dos anos.
No vídeo, a operação que resultou na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro é citada como um exemplo recente da aplicação dessa doutrina. A ação, ocorrida em 3 de janeiro, foi descrita como um “forte sinal a todo o hemisfério”, com Maduro sendo levado aos EUA para enfrentar acusações de narcoterrorismo e atualmente detido em Nova York.
O que foi a Doutrina Monroe?
Estabelecida em 1823 pelo presidente James Monroe, a Doutrina Monroe visava limitar a interferência de potências europeias no continente americano. A filosofia central da doutrina era a ideia de “América para os americanos”, buscando bloquear a recuperação de influência europeia na região, enquanto os EUA se comprometiam a não interferir nas colônias europeias ainda existentes nas Américas.
“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, destaca a legenda da publicação.
O vídeo também apresenta a captura de Maduro como uma continuação dessa política, reafirmando que a doutrina permanece como a “pedra angular” da estratégia dos EUA na região.
A Doutrina Donroe
Em dezembro do ano passado, o governo Trump lançou uma nova estratégia de segurança nacional, com a intenção de recuperar a influência dos EUA na América Latina e conter o avanço de potências de outras regiões. Essa abordagem foi chamada de “Doutrina Donroe”, uma fusão dos nomes Donald e Monroe.
“Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental”, afirma o documento.
A nova estratégia militar para a América Latina se baseia em três pilares principais: aumentar a presença da Guarda Costeira e da Marinha, reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal, e estabelecer acesso a locais estratégicos na região.
Os EUA buscam, portanto, “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental”, com um foco especial no combate ao avanço chinês na região.
Intervenções e ditaduras ignoradas
O vídeo do Departamento de Estado revisita diversos episódios da atuação americana na América Latina, incluindo o apoio à independência do Panamá em 1903 e a crise dos mísseis de Cuba em 1962, quando o presidente John F. Kennedy recorreu à Doutrina Monroe diante da ameaça soviética.
No entanto, o histórico apresentado ignora intervenções americanas que contribuíram para a instalação de regimes ditatoriais em vários países da região durante o século 20, uma omissão significativa na narrativa da política externa dos EUA.