Eclipse total do Sol promete novas oportunidades para pesquisas sobre a estrela
Eclipse total da Lua sobre o Sol promete avanços na pesquisa científica
Na próxima quarta-feira (12), a Lua irá encobrir completamente o Sol por 1 minuto e 40 segundos em uma faixa do norte da Espanha. Este fenômeno será uma oportunidade única para equipes científicas de diversas instituições estudarem aspectos fundamentais do Sol, como seu campo magnético, atmosfera e tempestades solares.
O eclipse total é um evento raro que, ao longo da história, tem proporcionado descobertas científicas significativas. Um exemplo marcante ocorreu em 1919, quando um astrônomo britânico confirmou a teoria da relatividade de Einstein ao observar um eclipse que permitiu a visualização de estrelas que normalmente estariam ofuscadas pela luz solar.
O que os cientistas vão observar
- Pesquisadores da Comissão de Energia Atômica da França (CEA) estarão focados na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol;
- O astrofísico da CEA destacou que o objetivo é compreender os mecanismos físicos por trás da atividade solar;
- Os especialistas desenvolvem modelos para explicar essa atividade, situando o Sol em sua linha do tempo evolutiva;
- A coroa solar se estende por dez milhões de quilômetros a partir da fotosfera e é mil vezes menos intensa, mas pode atingir temperaturas de até dois milhões de graus Celsius;
- Normalmente, essa camada é estudada com satélites equipados com coronógrafos, que bloqueiam a luz da fotosfera.
Durante o eclipse, será possível também observar a cromosfera, camada da atmosfera entre a coroa e a superfície do Sol. A coincidência geométrica que torna esse fenômeno possível é notável: a Lua é 400 vezes menor que o Sol, mas está 400 vezes mais próxima da Terra, permitindo que ela bloqueie a luz solar sem obstruir a atmosfera ao redor.
Os pesquisadores consideram-se sortudos por terem a chance de estudar o Sol sob essas condições únicas.
A atividade solar é contínua, com o Sol expelindo matéria e partículas carregadas. Em certos momentos, ocorrem tempestades solares, explosões de plasma que podem impactar a Terra, derrubando satélites e criando auroras. Esses fenômenos seguem um ciclo regular, com picos a cada 11 anos, e em 2024, o Sol atingirá o auge de seu 25º ciclo.
A Agência Espacial Europeia (ESA) também aproveitará o eclipse para estudar os ventos solares. Questões sobre a propagação e estrutura das tempestades solares são centrais para a pesquisa. A sonda Solar Orbiter, lançada em 2020, já coleta dados que serão analisados durante o evento.
Outra missão da ESA, chamada Proba-3, utiliza espaçonaves em formação sincronizada para criar mini-eclipses solares artificiais. Além disso, há planos para a missão MESOM, que visa enviar uma espaçonave para a sombra da Lua, permitindo uma observação prolongada do fenômeno.
Pesquisadores acreditam que eclipses solares totais inspiram tanto artistas quanto cientistas, refletindo a interconexão entre as observações na Terra e as aspirações na pesquisa espacial.