Economia gaúcha registra menor crescimento entre os Estados em 2022-2023
Rio Grande do Sul enfrenta desafios econômicos com menor crescimento entre os Estados brasileiros.
O Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre todos os Estados brasileiros no biênio 2002-2023, conforme um estudo detalhado sobre a trajetória do setor nas últimas duas décadas.
Este estudo apresenta um diagnóstico comparativo do desempenho do Rio Grande do Sul, com ênfase nas análises em relação aos estados vizinhos da Região Sul e ao Brasil como um todo.
Durante o período analisado, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho cresceu apenas 34%, um resultado que fica abaixo da média nacional de 58%, do Paraná com 55% e de Santa Catarina que alcançou 65%.
Além disso, quando se considera o PIB per capita, que mede a renda média por habitante, o Rio Grande do Sul também se destaca negativamente, com um crescimento de apenas 24%, superando apenas Santa Catarina, que teve um aumento de 19%. O Paraná se destacou com um crescimento de 31% nesse indicador.
As dinâmicas de crescimento econômico e de renda por habitante são distintas entre os estados. Santa Catarina teve um impulso significativo em sua economia devido ao crescimento populacional, enquanto o Paraná converteu melhor seu crescimento econômico em ganhos de renda per capita através de avanços em produtividade. Por outro lado, o Rio Grande do Sul não apresentou destaque em nenhuma dessas áreas.
A composição do crescimento econômico também foi analisada. No Paraná, 73% do aumento do PIB per capita veio de ganhos de produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento foi dividido entre ganhos de produtividade e aumento da população ocupada. No Rio Grande do Sul, embora a produtividade tenha contribuído substancialmente para o crescimento da renda, houve uma dependência maior da expansão do emprego, um fator que tende a se fragilizar com o envelhecimento populacional.
Outro ponto importante do estudo é que a vantagem de produtividade que o Rio Grande do Sul apresentava em relação à média nacional no início dos anos 2000 praticamente desapareceu nas últimas duas décadas. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho no estado cresceu, em média, 0,65% ao ano, inferior à média brasileira de 0,94%.
Desafios
Lucas Schifino, diretor executivo do instituto, destaca que o principal resultado do estudo é a evidência de que o desafio do Rio Grande do Sul não se limita à velocidade do crescimento, mas também à falta de um diferencial claro que sustente esse crescimento no longo prazo.
Ele observa que, nas últimas duas décadas, o estado não teve o impulso demográfico de Santa Catarina nem os ganhos de produtividade do Paraná. Isso explica a perda de posição relativa no cenário nacional. Com uma população em envelhecimento e um crescimento demográfico cada vez mais restrito, a produtividade se torna fundamental para a ampliação da renda, competitividade e bem-estar.
Para Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e Ifep no Rio Grande do Sul, entender os fatores que limitaram o crescimento econômico do estado é essencial para construir uma agenda de desenvolvimento sustentável.
Bohn ressalta que o estudo evidencia que o desafio do estado vai além do simples crescimento econômico. É crucial entender as razões da perda de competitividade e os fatores que impediram avanços significativos em produtividade e geração de renda. Um diagnóstico qualificado é indispensável para direcionar políticas públicas e investimentos que fortaleçam o ambiente de negócios e ampliem as oportunidades para a população gaúcha.
