Eduardo Cunha enfrenta bloqueio de R$ 6 milhões após prisão e cassação, enquanto planeja nova candidatura eleitoral
Eduardo Cunha tem bens bloqueados em investigação da Polícia Federal
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, teve seus bens bloqueados em até R$ 6 milhões pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida é parte de uma investigação que aponta Cunha como um “agente privado” no Parlamento, mesmo sem ocupar cargo público atualmente.
De acordo com a investigação, Cunha destinou 21 emendas parlamentares a municípios de Minas Gerais, totalizando o valor bloqueado. A defesa do ex-deputado nega irregularidades, afirmando que ele não apresentou ou formalizou as emendas mencionadas.
A defesa destacou que Eduardo Cunha pautou sua vida pública pelo compromisso ético e legal, e que busca acesso integral à investigação para entender o contexto e impugnar as medidas decretadas.
A decisão do bloqueio ocorre a poucos meses das eleições, onde Cunha manifestou interesse em concorrer a deputado federal por Minas Gerais. Se eleito, seria seu retorno ao cenário político nacional, após ter sido cassado em 2016 por quebra de decoro parlamentar.
A cassação de Cunha foi resultado de uma acusação de mentir à CPI da Petrobras sobre a posse de contas no exterior. Ele já era réu na Operação Lava Jato, enfrentando acusações de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas a propinas recebidas de contratos da Petrobras.
Com a condenação, Cunha se tornou inelegível por 10 anos e foi preso em 2016, permanecendo detido por cerca de três anos. Em 2021, ele foi solto após cumprir parte da pena em prisão domiciliar.
Nas eleições de 2022, tentou se eleger deputado federal por São Paulo, mas não obteve sucesso. Em 2023, uma de suas condenações pela Lava Jato foi anulada pelo STF, permitindo que ele buscasse um retorno à política, agora pelo Republicanos-MG.
O bloqueio de R$ 6 milhões foi determinado no âmbito da Operação Transparência. A Polícia Federal identificou que as emendas eram repassadas por meio de documentos fraudulentos que ocultavam o nome de Cunha. A investigação aponta a atuação de Mariângela Fialek, ex-assessora de Cunha, como uma facilitadora na destinação das verbas.
Segundo a PF, Fialek não era apenas uma executora, mas desempenhava um papel ativo nas decisões de emendas, mantendo um canal de comunicação direto com Cunha, que, mesmo sem mandato, influenciava a destinação de recursos federais.
As evidências reunidas sugerem que Cunha operava com influência política significativa, direcionando recursos sem a devida autorização institucional, o que levanta sérias questões sobre sua atuação e a legalidade dos processos envolvidos.
