Educador critica ação policial em escola do Rio e afirma que juventude é perseguida por ousar ser jovem

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Episódio de violência policial em escola do Rio expõe falhas na gestão e no diálogo com estudantes.

Um recente incidente de violência policial em uma escola estadual do Rio de Janeiro trouxe à tona a insatisfação de alunos mobilizados contra a permanência de um professor acusado de assédio. O episódio ocorreu durante uma manifestação organizada pelo grêmio estudantil, que buscava coletar assinaturas para um abaixo-assinado e realizar um ato contra o docente denunciado por comportamentos inadequados.

A mobilização ganhou força após a descoberta de que a escola e a Secretaria de Educação estavam cientes das denúncias há mais de um ano, sem que medidas efetivas fossem tomadas. Documentos revelam que uma aluna menor de idade relatou comportamentos abusivos do professor durante uma aula, o que levou um colega docente a formalizar a denúncia junto à direção e à diretoria regional.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um policial militar ameaçando apreender celulares de alunos que registravam a cena e, em seguida, agredindo uma estudante. Outro aluno que tentou intervir também foi atacado, gerando indignação entre os presentes.

A Secretaria de Educação afirmou que os representantes estudantis deveriam ter avisado sobre a mobilização e justificou a presença da polícia como uma medida preventiva. Informou ainda que o professor foi afastado, mas a Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou sobre possíveis ações contra o policial envolvido na agressão.

Para o educador popular, a situação vai além de um ato isolado de violência. Ele argumenta que o incidente reflete uma lógica de Estado que opera com violência e critica a decisão da escola de acionar a polícia para lidar com uma manifestação estudantil. Segundo ele, não havia justificativa para a intervenção policial, e a situação exige um debate mais profundo sobre a militarização das respostas a conflitos que deveriam ser resolvidos por meio do diálogo.

Confira, a seguir, os destaques da entrevista:

O que o episódio de violência na escola comunica para a sociedade?

O educador: O caso expõe um Estado que opera na lógica da violência estrutural. A decisão da direção da escola de convocar a polícia para intervir em uma manifestação pacífica é alarmante, pois não havia qualquer ato que justificasse tal medida. A agressão policial não pode ser vista isoladamente, mas como parte de uma estrutura que permite e legitima esse tipo de ação.

O caso indica que o Estado perdeu a capacidade de dialogar com os jovens ou isso nunca se consolidou?

O educador: O problema é mais profundo: a sociedade brasileira não reconhece plenamente que a manifestação é um direito. Historicamente, a juventude é vista como radical e rebelde, em vez de ser entendida como uma busca legítima por mudança. O impedimento da manifestação dos estudantes contra um professor acusado de assédio revela falhas nas estruturas de poder que operam de forma violenta e tecnocrática.

Quais são os principais desafios para reverter esse cenário?

O educador: Um dos desafios é abandonar a postura tutelar que os adultos assumem em relação aos jovens. É fundamental reconhecer que os jovens são sujeitos de direitos e que a sociedade deve ouvir suas vozes. A educação deve proporcionar espaços de expressão e construção coletiva, ao invés de impor regras de comportamento.

O caso de violência ocorreu durante uma mobilização relacionada a uma denúncia de assédio. Isso mostra que as escolas ainda não estão preparadas para lidar com situações desse tipo?

O educador: A escola reflete a sociedade e, como tal, pode ser um espaço de proteção ou de reprodução da violência. A resposta da escola ao chamar a polícia diante de uma denúncia de assédio revela um modelo de cuidado que perpetua a violência. É possível construir escolas que promovam a paz, mas isso requer uma mudança na forma como a sociedade lida com a violência e a vulnerabilidade.

O que a educação popular pode oferecer diante desse cenário? Ela está presente, de alguma forma, nas redes de ensino hoje?

O educador: A educação popular é um processo de conscientização e transformação. Contudo, sua presença nas escolas é limitada, e muitas práticas foram apropriadas por instituições de elite. O acesso a

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