Efeitos da Covid-19 persistem em algumas pessoas anos após infecção

Compartilhe essa Informação

Estudo revela que a Covid longa ainda afeta parte da população anos após infecção.

Mais de seis anos após o início da pandemia, a COVID-19 deixou de ser uma preocupação constante para a maioria, mas ainda persiste para alguns. Um estudo japonês destaca que, apesar da queda nos casos de Covid longa com a variante ômicron, muitos pacientes continuam a enfrentar sintomas persistentes anos após a infecção.

A pesquisa acompanhou 2.689 indivíduos diagnosticados com COVID-19 entre 2020 e 2024, incluindo tanto adultos quanto crianças. O objetivo foi analisar a evolução dos sintomas ao longo das diferentes fases da pandemia, desde a cepa original até as variantes mais recentes da ômicron.

Delta foi a variante com maior impacto

Os resultados indicam que a variante delta foi responsável pelas sequelas mais duradouras. Seis meses após a infecção, aproximadamente 47% dos adultos infectados durante a onda delta ainda apresentavam sintomas persistentes. Em contrapartida, entre os infectados durante a onda ômicron de 2022, esse percentual caiu para 23%, chegando a 21% entre os casos registrados em 2024.

Os pesquisadores confirmam que a Covid longa tornou-se menos frequente após a chegada da ômicron, embora não tenha desaparecido completamente.

Apesar da diminuição dos casos, o estudo revela que algumas pessoas ainda enfrentam consequências prolongadas da doença. Dois anos após a infecção, cerca de 20% dos adultos infectados antes da variante ômicron continuavam a relatar sintomas, enquanto entre os infectados durante o período da ômicron, esse número foi reduzido para aproximadamente 10%.

Os sintomas mais comuns da Covid longa incluem fadiga intensa, dificuldade de concentração, conhecida como “névoa mental”, tontura e alterações no paladar e no olfato.

Outro aspecto observado pelos cientistas é que, para alguns pacientes, a recuperação parece atingir um platô. Após dois anos, houve pouca melhora adicional nos sintomas persistentes, embora ainda seja possível que a recuperação ocorra em períodos mais longos.

Crianças apresentaram recuperação mais rápida

O levantamento também revelou diferenças significativas entre adultos e crianças. Em todas as fases da pandemia, a frequência de sintomas persistentes nas crianças variou entre um quarto e um terço da observada nos adultos. Além disso, nenhuma criança acompanhada no estudo apresentou limitações importantes nas atividades diárias por mais de dois anos após a infecção, mesmo com alguns sintomas ainda presentes.

Os pesquisadores identificaram a idade como um fator crucial para uma recuperação mais rápida, especialmente entre crianças de até 12 anos.

Próximo passo será prever o risco de Covid longa

É fundamental continuar o monitoramento de pacientes que apresentam sintomas persistentes, mesmo após a fase aguda da doença. O próximo passo da equipe é desenvolver um modelo que estime o risco de uma pessoa desenvolver Covid longa, criando uma ferramenta online que permita prever, com base em características semelhantes a outros pacientes, a probabilidade de sintomas persistirem ao longo do tempo.

Embora a carga da Covid longa tenha diminuído desde o auge da pandemia, ela ainda representa uma realidade para parte da população. Efeitos no paladar, olfato e até mesmo na disposição e respiração podem continuar a afetar indivíduos por anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *