Elefante equipado com GPS revela surpreendente mapa de seus deslocamentos após dois anos de monitoramento
Elefante africano revela antigas rotas migratórias através de jornada de 12 mil quilômetros.
Uma coleira com GPS instalada em um jovem elefante africano revelou uma jornada extraordinária, permitindo a visualização de rotas migratórias que existem há séculos. Essas rotas hoje enfrentam desafios devido a fronteiras nacionais, cercas, estradas e fazendas que alteram a paisagem.
Em junho de 2023, conservacionistas colocaram uma coleira GPS em um jovem elefante macho, ao norte do Parque Nacional Sioma Ngwezi, na Zâmbia. O objetivo era entender melhor os movimentos dos elefantes dentro da vasta paisagem protegida de Kavango-Zambeze (KAZA).
Após dois anos de monitoramento, cientistas descobriram que o animal havia viajado quase 12.000 quilômetros, cruzando quatro países e seis parques nacionais. Este registro se tornou um dos mais completos sobre os movimentos desses gigantes africanos.
O que realmente chamou a atenção não foi apenas a distância percorrida, mas o caminho que o elefante seguia. O jovem elefante utilizava corredores naturais, atravessando Namíbia, Botsuana e Zimbábue, retornando repetidamente a certas áreas com rotas surpreendentemente consistentes.
Para os pesquisadores, a viagem sugere que os elefantes continuam a utilizar rotas migratórias passadas por gerações, muito antes das fronteiras políticas que hoje dividem o sul da África. No entanto, um GPS não pode demonstrar se esses itinerários fazem parte de uma memória coletiva ou se são guiados por outros mecanismos de orientação.
A jornada do elefante também indicou que esse comportamento não representa toda a espécie. Dados de quase 300 elefantes equipados com coleiras GPS em cinco países revelaram que os grandes viajantes geralmente são machos adultos, enquanto as fêmeas que lideram os rebanhos tendem a permanecer em territórios muito menores.
Essa diferença é significativa, pois as fêmeas representam a maior parte da população. Isso altera a forma como entendemos a conservação: uma paisagem pode parecer conectada devido aos movimentos de alguns machos, mesmo que as famílias nunca cruzem as fronteiras.
Para os elefantes, uma fronteira política não tem significado, mas cercas construídas pelos humanos representam um grande obstáculo. Pesquisadores descobriram que muitas fêmeas nunca cruzam essas barreiras, mesmo quando estão deterioradas.
Cientistas acreditam que grandes rios marcam os limites naturais dos territórios dos elefantes, e cercas continuam a ser um obstáculo físico para os jovens, além de preservarem a memória de quando eram eletrificadas e monitoradas.
O corredor de Sobbe, utilizado várias vezes pelo elefante, conecta enormes espaços naturais espalhados por vários países. Manter esse corredor aberto é essencial não apenas para proteger o habitat dos elefantes, mas também para promover a convivência com agricultores que defendem suas plantações.
A jornada do elefante destaca que ainda existem rotas capazes de conectar grande parte do sul da África, mas também ressalta suas limitações. Corredores ecológicos só aliviarão a pressão sobre áreas com maior densidade de elefantes se puderem ser utilizados por fêmeas e seus filhotes, e não apenas por machos solitários.